Acuados pela mobilização em massa dos servidores da Câmara e pressionados pela máquina do Executivo, os vereadores vão decidir hoje se mantêm ou derrubam o veto proposto pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) ao projeto que dispõe sobre a concessão de vantagens e benefícios financeiros referentes ao Plano de Cargos e Carreiras dos funcionários do Legislativo. O cenário ainda é de indefinição, embora a derrubada - que depende de oito votos - seja a hipótese mais provável. Um empate não será surpresa. Articulações pró e contra serão feitas até a votação, marcada para as 14 horas.
A véspera da votação foi marcada por tentativas de convencimento. No fim da tarde de ontem, vereadores governistas atenderam a convite e participaram de nova reunião no gabinete do prefeito. “A projeção que temos é de salários abusivos por conta das várias gratificações e incorporações. Os vereadores tiveram e vão ter a oportunidade de colocar as coisas no eixo. Eles podem derrubar o veto, mas vão ter que arcar com as consequências.”
Os vereadores saíram balançados do encontro. Mas nem todos formaram a convicção. Também tem peso significativo a pressão feita por assessores e servidores da Câmara. A terça-feira promete ser de intensas articulações.
O sindicalista Luiz Vergara (PSB) atua como porta-voz em defesa do pacote de benefícios. Amparado por um relatório escrito pelas advogadas da Câmara, ele afirma não haver fundamento que justifique o veto. Alega, ainda, que a Constituição dá autonomia aos vereadores para legislar sobre o plano de carreira para os funcionários do Legislativo. O documento classifica de “irresponsável e ilegal” qualquer previsão sobre salários que se faça, além daquela exigida a Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de três anos.
É neste cenário de fogo cruzado que os vereadores vão decidir o voto.
Nenhuma das partes canta vitória por causa dos vereadores que se dizem indecisos, mas os defensores do veto foram dormir desanimados. A derrubada tem sete votos garantidos. Donizete da Farmácia (PSDB), Cordeiro (PSB), Zezinho Cabeleireiro (PPS) e Claudinei da Rocha (PP) serão os fiéis da balança.
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