Pontos de vistas


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Diante do contexto terrível da triste história desse bebê, cabe profunda reflexão sobre o modo de vida moderno e suas demandas. Essa tragédia tem que fazer pensar sobre princípios morais e éticos que estão deixando de fazer parte da formação dos nossos filhos. Em que ambiente familiar essa adolescente foi criada para que, aos quatorze anos – talvez treze – iniciasse vida sexual? Seus pais a educaram? E por que permitiram que ela, com um bebê nos braços, fosse viver sob o mesmo teto com um segundo (homem) que, ainda por cima, tem histórico de envolvimento com drogas? Onde é que estavam os pais dela, que, diante da lei, são responsáveis pela sua vida, educação e bem-estar? Dormiam tranquilamente enquanto a filha dormia com um qualquer? E, por fim, que tipo de (gente) egoísta e fria pode despejar sobre uma recém nascida de sete meses, tanta ira e rancor?
Ronaldo Silva
Franca - SP

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Essa estória tem um encadeamento interessante. A mãe (avó) diz que a sua filha foi rebelde, não obedecia, mas nunca foi agressiva. Primeiro, a agressividade é inerente à rebeldia pelos confrontos e afrontas. Não há rebeldia, desobediência apaziguada. Depois a mãe do bebê, que é onde, afinal, reside a questão principal, diz que foi ela e depois que não foi, pois há um outro que fez e esse, por coerção, a faz assumir a autoria. Nestes deslizamentos de discursos das duas em relação a ‘mea culpa’, fica-se um único culpado: a bebê! Para além do discurso cínico reinante, fica evidente a quimera do mito do ‘instinto materno’. A supremacia da crença no instinto materno não se aplica ao humano, ele subverte isso. O que há é um desejo materno, pois enquanto o instinto remete a uma universalização, o desejo é singular. Parir é um ato que não enseja necessariamente o desejo de ser mãe. Os estrondos disso inquietam, provocam um grande mal estar na cultura, no social!
Antônio César Peron
Psicanalista - Franca - SP
 

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