Eros era um cão dócil da raça boxer. Tinha nove anos e vivia na casa dos donos na Vila Aparecida como um membro da família. Na tarde de sexta-feira, não resistiu a um câncer e morreu. Tristes com a perda do companheiro inseparável de quase uma década, os donos ficaram sem saber o que fazer com o corpo. “Já era noite quando decidimos sepultá-lo em uma chácara no município de Claraval. Estou pensando em colocar uma cruz no local”, disse o representante comercial Talles Carrijo, dono do cachorro. A história ilustra uma situação comum em Franca. Praticamente todos os dias alguém enfrenta o mesmo dilema na cidade: o que fazer quando o animal de estimação morre? A resposta está a caminho. Em breve, Franca acompanhará uma tendência nacional e terá um cemitério exclusivo para animais. Não só para cães e gatos, mas também para aves, tartaruga e até hamster.
A ideia de construir o cemitério foi lançada pelos proprietários da Funerária Nova Franca e apenas aguarda a emissão da licença ambiental por parte da Cetesb para ser colocada em prática. Com a autorização em mãos, a empresa comprará uma área de pelo menos cinco mil metros quadrados para transformá-la em um espaço onde será possível fazer velório e sepultar o animal de estimação. “Há tempos, estamos avaliando a possibilidade. É uma carência, não só de Franca, mas regional. Visitamos alguns cemitérios e já demos entrada com as documentações nos órgãos responsáveis”, disse Rafael de Melo Silveira, diretor da Nova Franca. Se tudo correr dentro do planejado, a empresa espera inaugurar o cemitério dentro de um ano. O valor do investimento é mantido em sigilo.
A Cetesb informou que a iniciativa é bem vinda e que não deverá ter grandes dificuldades para ser aprovada. “Os responsáveis terão que seguir normas e recomendações para obter a licença. Na região da bacia do Rio Canoas não é permitido, mas em outras áreas é possível desde que se cumpram todas as exigências. O cemitério atenderá um público regional e disciplinará o descarte de animais, disse o gerente da Cetesb Francisco Roberto Setti.
No começo do ano, o vereador pastor Otávio Pinheiro (PTB) visitou cemitérios de animais na região de Campinas e apresentou um requerimento ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) solicitando que a Prefeitura implantasse o serviço na cidade. Por falta de recursos financeiros, a ideia não foi levada adiante pelo município.
A preocupação em dar uma destinação adequada e digna para o animal de estimação se reflete em outros centros do País. Com o crescimento do mercado de pets, é cada vez maior o número de cidades que estão construindo cemitérios do tipo. A cerimônia de despedida dos animais é semelhante a de um ser humano, com orações, velório, túmulos e lápides com os nomes dos “entes queridos”. Alguns locais têm até crematórios. “Muitas pessoas consideram os animais como parte da família. Nós acreditamos que isto é uma verdade e nossa intenção é oferecer uma forma das pessoas ofereceram uma despedida e um enterro dignos”, concluiu Rafael Silveira.
Uma proposta ousada tramita na Câmara de São Paulo. Foi aprovada em primeira votação este mês projeto de lei que autoriza o sepultamento de cães e gatos em cemitérios municipais. Pela proposta os donos de jazigos vão poder enterrar os animais domésticos com permissão da Prefeitura. A tendência é de que a regra seja vetada.
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