Justiça julga pedido de prisão da mãe que agrediu bebê


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O pedido de prisão da adolescente de 15 anos que confessou ter espancado a filha de sete meses com a ajuda do namorado deve ser julgado nesta semana
O pedido de prisão da adolescente de 15 anos que confessou ter espancado a filha de sete meses com a ajuda do namorado deve ser julgado nesta semana

O pedido de prisão da adolescente de 15 anos que confessou ter espancado a filha de sete meses com a ajuda do namorado deve ser julgado nesta semana. O requerimento foi protocolado pela delegada Graciela Ambrósio no Fórum de Franca na quinta-feira e aguarda o posicionamento do juiz José Rodrigues Arimatéa, da Vara da Infância e Juventude.

A delegada solicitou a apreensão provisória da adolescente pela gravidade do crime. “Eles agrediram uma bebê indefesa. Ela é a mãe, tinha a obrigação de defender a criança”, disse Graciela.

Graciela ainda afirmou que, durante o depoimento dado à polícia no dia 21, a adolescente não esboçou qualquer arrependimento. “Ela é fria. Não demonstrou nenhuma emoção. Mesmo quando o investigador informou que o estado de saúde da bebê era gravíssimo, ela permaneceu fria. Só chorou mesmo quando eu disse que ela não teria contato com o namorado. Aí ela se desesperou.”

A adolescente agressora cresceu em Franca. Não estuda nem trabalha. Até seu depoimento à polícia, estava morando com a filha na casa do namorado que conheceu há quatro meses.

Segundo as vizinhas do rapaz, o casal discutia bastante. “Quase não via ela com a menina. Era mais os dois mesmo. Ela se mudou para cá faz uns dois meses e foi a primeira vez que ouvi a criança chorar por dois dias seguidos”, disse uma mulher, que pediu para não ser identificada.

A adolescente cresceu sem ter uma residência fixa por muito tempo. Desde seus cinco anos, tem vivido ora com o pai, ora com a mãe e, por curtos períodos, com os avós paternos. “Na verdade, nunca soube bem com quem ela morava. Uma hora ela estava na casa da mãe, depois com o pai”, disse o pai biológico da bebê e ex-namorado da adolescente.

Segundo fontes do Poder Judiciário, no Conselho Tutelar, antes de agredir a filha, a menor tinha dois registros como vítima de agressão, em 2002 e 2007. “Depois disso, não tivemos mais registros até que surgiu este caso”, disse Gláucia Limonti, conselheira.

Legalmente, com a separação dos pais, a guarda da adolescenficou com seu pai. “Por isso dissemos que ele também seria o responsável pela bebê. Como a mãe é menor e não pode ser responsabilizada por todos seus atos, seu pai, que tem sua guarda, acaba assumindo indiretamente a responsabilidade pela bebê”, afirmou Gláucia.

A adolescente é conhecida por sua personalidade forte. Mesmo contra a vontade dos pais, ela começou a namorar nova. Não há comprovação, mas o pai biológico da bebê diz que, quando conheceu a adolescente, ela tinha 12 anos e já não era mais virgem. “Ela sempre foi ‘assanhadinha’. Até tentei endireitá-la”, disse ele.

Eles teriam terminado o relacionamento quando a garota estava grávida. “Ela me traiu.” Depois reataram quando a bebê nasceu, mas não deu certo. Logo a adolescente conheceu seu atual namorado. “Fomos contra [a relação]. Ele não é boa influência”, disse a mãe da menor à polícia.

Segundo registros oficiais, o rapaz tem envolvimento com a venda de drogas no bairro onde moram. Os vizinhos confirmam. “Todo mundo tem medo porque ele é agressivo e mexe com drogas”, disse uma outra vizinha.

O namoro evoluiu rápido. Dois meses depois de se conhecerem, ele convidou a adolescente a se mudar para sua casa, onde vive com a avó, seu pai e mais três irmãos. A princípio, ela não levaria a bebê, mas mudou de ideia.

A polícia acredita que o estopim para a agressão, que teria ocorrido há duas semanas, foi a detenção do casal em uma praça acusados de vender drogas. O atual namorado teria desconfiado que a polícia só chegou a ele por conta de uma denúncia feita pelo pai biológico da bebê. O pai da criança nega que tenha feito isso.

Com raiva por ter sido detido, o casal teria voltado para casa e atacado a bebê. “Na confissão, ela disse que o motivo do espancamento foi pelo ciúmes do pai da criança. Não acreditamos nisso”, disse a delegada.

Depois dos socos na barriga, a bebê chorava muito. Aos familiares, o casal disse que ela havia caído do sofá e que não precisava de médicos. Como ela começou a ter febre, a mãe do rapaz convenceu a adolescente a ir ao pronto-socorro. “Lá a adolescente escondeu dos médicos o que tinha acontecido. Disse que a filha tinha dificuldades intestinais. O médico pediu os exames, mas ela não esperou. Só retornou ao hospital na tarde do dia seguinte”, disse a delegada.

Foi quando o plantonista identificou a gravidade do caso e encaminhou a bebê para a Santa Casa. Só na delegacia a adolescente confessou a agressão.

A menor e o namorado devem responder pelo crime de tortura. Entre quinta e sábado, o Comércio tentou falar com a mãe agressora, mas não atendeu.

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