A universidade é, para muitos, o próximo passo após a conclusão do ensino médio. Quando se pensa numa instituição de ensino superior, geralmente se imagina um ambiente formado quase que inteiramente por alunos mais novos. Mas tal cenário homogêneo está mudando aos poucos, já que a graduação é um objetivo cada vez mais buscado por pessoas mais velhas.
Dados do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que, em 2000, Franca possuía 53 pessoas com 50 anos ou mais que frequentavam algum curso superior (graduação). Dez anos depois, esse número subiu para 181, mais do que triplicou (241%). No mesmo período, a população de 50 anos ou mais aumentou 49% na cidade. O aumento do número de universitários com mais de 50 anos no País foi maior. Sofreu acréscimo de 438% num período de dez anos. Passou de 38.803 em 2000 para 208.994 em 2010.
Uma das representantes desse grupo é Luisa Jacintho Pucci, que, aos 56 anos, está no 5º ano de Direito na FDF (Faculdade de Direito de Franca). Graduada em educação artística na década de 70, na extinta Faculdade Pestalozzi, e atualmente diretora financeira em uma empresa que realiza recomposições ambientais, Luisa vê a sua segunda graduação como a realização tanto de um sonho de infância quanto das suas necessidades. “Lido muito com o meio ambiente e o direito é um aliado forte à minha função. É uma faculdade que sempre quis fazer, desde pequena. Além disso, todos os três meus filhos fizeram faculdade, e nenhum voltou para Franca. A hora que o último se formou, eu não tinha o que fazer. Sou muito agitada e a vida ficou muito apática, leve e devagar para meu gosto. Fui em busca de algo que trouxesse um crescimento maior.”
E, agora que está no final do curso, Luisa ressalta os ganhos que teve com os estudos. “Estudar me rejuvenesceu de uma tal forma, que ganhei uma nova vida para viver plenamente. Tenho gás para viver mais 50 anos. Quem para, fica doente, tem problema familiar, fica velho e ranzinza.” Luisa já aplica o que aprende em sala de aula no seu trabalho e espera ser chamada para um estágio na Cetesb.
Ela conta que não teve dificuldade em se enturmar com os colegas de sala mais novos. “Na minha sala, há 80 alunos, há um grupo de gente casada, mais velha, mas vou pra cantina com a turma jovem. Fiz estágio na assistência jurídica, onde era tudo moçada. É uma mudança muito positiva. Não preciso ir para uma balada, porque levo uma vida de casada, mas consigo entrosar com todos.”
Para a professora do curso de psicologia da Unifran (Universidade de Franca) e mestre em psicologia do desenvolvimento, Carolina Alexandre Costa Minchio, o aumento de graduandos com mais de 50 anos se deve a fatores individuais, educacionais, sociais e financeiros. “No aspecto individual, é necessário considerar que a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando. Depender exclusivamente da aposentadoria e parar de trabalhar não está mais nos planos destes brasileiros. Desta forma, pode haver uma reorganização das metas pessoais e profissionais considerando essa nova perspectiva de futuro, de prolongamento de mais 20 a 30 anos de vida”, disse.
No campo da educação, a docente relaciona o aumento no número de alunos a uma maior disponibilidade e variedade de cursos oferecidos pelas instituições de ensino. “No social, estes alunos podem considerar a graduação como uma oportunidade para melhorar seus postos de trabalho. O curso superior oferece maior reconhecimento, prestígio social e implica numa maior remuneração salarial.” Sobre o aspecto financeiro, Carolina destaca o acesso ao ensino, pelos descontos concedidos nas mensalidades aos alunos com idade superior a 50 anos.
Para a professora, um dos benefícios de se estudar após os 50 é ter uma facilidade maior de aplicar os conteúdos aprendidos em sala na prática. No entanto, também existem limitações. “O que se percebe desta população é a falta de intimidade com as novas tecnologias, mas que normalmente são superadas de acordo com o esforço e prática.”
A Unifran possui hoje 42 alunos acima dos 60 anos nos cursos de graduação presenciais e a distância.
UNATI
A (Universidade Aberta à Terceira Idade), da Unesp (Universidade Estadual Paulista) permite aos seus alunos acima dos 55 anos estudar nos cursos de graduação do campus local (história, direito, serviço social ou relações internacionais) como ouvintes, ou seja, recebem um certificado de participação, não um diploma. Hoje, dez participantes da Unati são estudantes da Unesp em Franca.
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