Não há nada tão ruim que não possa piorar. Esse dito popular se tornou realidade para os usuários da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Sebastião. O centro já apresentava problemas como demora no atendimento, falta de médicos e de segurança e superlotação. Agora, com o início das obras de reforma e ampliação há quase um mês, surgiu uma nova lista de falhas, como a interdição dos banheiros, barulho e poeira. Assim, a vida dos usuários, que já estava difícil, se tornou um verdadeiro calvário.
A reclamação mais séria dos usuários se refere à falta de banheiros. Desde o início das obras, uma grande parte da UBS foi isolada. É nessa seção que estão localizados os banheiros. Se os pacientes estiverem apertados, as únicas soluções são segurar ou voltar para casa.
“Se a pessoa estiver com uma dor de barriga, onde vai? A reforma veio em boa hora, só que a Prefeitura deveria ter alugado um espaço e levado toda a UBS para lá. Isso aqui é um absurdo. A secretária [Rosane Moscardini] fala que está tudo ótimo, mas ela não é usuária dessa unidade”, reclamou a dona de casa Alessandra Fernandes da Silva, 35.
“Vou ficar aqui até uma hora da tarde, e fica difícil sem banheiros. Eu me sinto desvalorizada, pago meus impostos, faço tudo certinho e, na hora que a gente precisa, não somos atendidos”, disse a dona de casa Maria Helena de Lemos Calmona, 59. “Já vi uma menina fazer xixi nas roupas por falta de banheiro”, completou a sapateira Talitta Morais, 23.
Mesmo sem vontade de ir ao banheiro, consultar-se ou mesmo retirar medicamentos na UBS da Vila Tião pode se tornar uma experiência desagradável devido ao barulho e à poeira provenientes da obra. “Todos os meus oito netos [que têm de dois a nove anos de idade] se tratam aqui. Eles têm problemas respiratórios, e essa poeira das obras preocupa”, disse o aposentado Ademir Bernardes.
Com boa parte do prédio lacrado, apenas algumas especialidades - clínico geral, ginecologista, dentista, curativos, vacinas e farmácia - seguem atendendo no local. O setor de pediatria, psicologia, assistência social e fonoaudiologia foram transferidos para um imóvel localizado na rua Manoel Francisco Mello, 489, também na São Sebastião.
Mas, a recepção continua na antiga UBS, onde todos os pacientes - mesmo os que são atendidos no prédio da Manuel Francisco - devem se dirigir para marcar consultas ou retirar remédios, o que torna a ida ao médico no sistema público de saúde mais burocrática do que já é. “Você tem que ficar andando, é aquele jogo de cintura. É muito complicado”, disse Alessandra.
A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, afirmou que vai averiguar as reclamações dos usuários e verificar se a unidade realmente está sem banheiros. “Acho que é impossível não ter um banheiro para o pessoal usar”, afirmou.
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