A adolescente de 15 anos e seu namorado de 18, acusados de espancar a bebê de sete meses filha da menor, devem responder na Justiça pelo crime de tortura. A afirmação foi feita ontem pela delegada Graciela Ambrósio David, responsável pelo caso. Segundo ela, depois de agredirem violentamente a bebê com socos na barriga, os dois deixaram de prestar socorro. “No meu entendimento, não foi uma mera agressão. Eles provocaram intenso sofrimento em um bebê indefeso. Agravado pelo fato de as agressões terem partido da genitora, que tem a responsabilidade de zelar pela criança.”
Para piorar, a delegada disse que eles ainda colocaram a vida da bebê em risco. “O casal não só demorou para buscar atendimento médico, como também mentiu quando chegou ao pronto-socorro, dificultando a ação dos médicos”, disse.
Por conta da gravidade das agressões, concentradas na região abdominal, e da demora no socorro, para a delegada, o crime de tortura ficou caracterizado.
O inquérito que apura as agressões ainda não foi concluído. “Estamos aguardando as respostas de alguns ofícios, que enviamos para fechar os detalhes do caso, que ainda estão em aberto.”
Graciela acredita que até o final do mês ou, no mais tardar, até o início de junho os trabalhos estejam concluídos. “Assim que terminarmos, encaminharemos tudo para os promotores da Infância e Juventude, no caso da genitora, e Criminal, no caso do namorado que é maior de idade. São eles que deverão apresentar o caso à Justiça”, explicou.
Se forem condenados, a mãe por ser ainda menor, poderá ser obrigada a passar, no máximo, três anos internada na Fundação Casa, que abriga menores infratores. Já o namorado, por ter 18 anos, poderá receber pena de dois a oito anos de prisão.
A delegada ainda estuda a possibilidade de também representar contra o avô da bebê, que era o responsável pela sua guarda e teria deixado que a filha levasse a menina para a casa do namorado, onde os fatos ocorreram. “Ele pode responder por negligência.”
MELHORA
Ontem o estado de saúde da bebê agredida teve uma pequena melhora. Com sete costelas quebradas, ela permanece internada na Santa Casa de Franca, mas não corre risco de morte.
Segundo seu pai biológico, ela já saiu da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e está no quarto acompanhada pela prima de sua mãe, que desde a última terça-feira assumiu sua guarda. “Ela ainda sente muitas dores, chora, mas está reagindo bem”, disse ele.
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