Pais lutam para garantir do governo tratamento a filho autista


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Pais, alunos e professores da Emei ‘Professora Maria Pia Silva Castro’ fizeram passeata de conscientização sobre o autismo no mês passado
Pais, alunos e professores da Emei ‘Professora Maria Pia Silva Castro’ fizeram passeata de conscientização sobre o autismo no mês passado

Conseguir um tratamento gratuito para o filho Artur, 7, tem sido uma árdua batalha para os seus pais, o contador David Morais Leite, 40, e a dona de casa Ana Paula Leite, 42. A luta começou quando o garoto foi diagnosticado com o autismo, há quatro anos, e ainda não terminou. O autismo é um transtorno de desenvolvimento que tem como sintomas dificuldade na fala, na comunicação, de fazer contato visual e, no geral, de se relacionar com o ambiente à sua volta.

Sem tratamento específico para o autismo em Franca, o casal é obrigado a recorrer a tratamentos particulares em São Paulo. “Ele é feito por nossa conta, mas não estamos conseguindo mais, porque o tratamento é muito caro, com o acompanhamento de biomédicos, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais e psicólogos, além dos medicamentos. Em média, por mês, as despesas com o Artur são de R$ 2,5 mil”, explica David.

O casal entrou com dois pedidos no DRS (Departamento Regional de Saúde), um em 2010 e outro em 2012, para solicitar que o Estado arque com as despesas de saúde e forneça a verba necessária para que o menino possa ter tratamento especializado com o método “Son-rise”. No entanto, os dois pedidos foram negados, com a Secretaria alegando que o tratamento só poderia ser feito na Apae - onde não há atendimento especializado para pacientes autistas. “A Apae fala que vai conseguir um tratamento, mas só tem projetos. Eles atendem os autistas, mas não há nada específico para eles. O tempo está passando e eu estou perdendo este tempo precioso”, queixa-se Ana Paula. Quanto à educação do garoto, não há reclamações: ele possui uma monitora para auxiliá-lo e a sua escola, a Emei “Professora Maria Pia Silva Castro”, inclusive, organizou uma passeata nos arredores da unidade em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Outros pais confirmam a defasagem na área da saúde. Uma delas é a assistente de produtos financeiros Denise Costa, 28, que é mãe de Eric, 7. Ele estuda na Apae, mas precisava de atendimento especializado. “Meu filho tem ausência da fala. As instituições que recebem os nossos filhos ainda não têm todas as adaptações necessárias e adequadas. Meu filho era muito agitado, e seu comportamento melhorou por causa de tratamentos particulares com uma terapeuta ocupacional.”

OUTRO LADO
A coordenadora de saúde da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), Kaylla Benedito, confirmou que, apesar de atender 26 autistas, a entidade não utiliza uma metodologia especializada ao paciente com o transtorno. “Esse método é novo no Brasil. Fizemos um projeto-piloto com a utilização do ‘Son-rise’, mas restrito a uma sala e uma professora, que durou de julho a dezembro de 2012. Depois do projeto, notei que os participantes melhoraram a atenção, a concentração e o contato visual”, diz. No entanto, não existe previsão para a adoção do método pela entidade.

Apesar disso, a coordenadora explicou que o atendimento aos jovens autistas que estudam na entidade é diferenciado. “Cada autista tem um tratamento diferente. O objetivo é dar a ele uma melhor qualidade de vida, assim como proporcionar aprendizado em atividades tanto pedagógicas quanto da vida diária.”

Já o DRS de Franca esclareceu, por meio de sua assessoria de imprensa, que o tratamento de autismo é feito pela rede básica, por meio do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), de gestão municipal, ou pelas Apaes. Sobre o caso de Artur, a assessoria informou que a mãe já foi orientada a procurar atendimento na Apae de Franca, que se disponibilizou a atender a criança.

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