Musicais da Broadway invadem São Paulo


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Grande. Imenso. Gigantesco. Do número de atores às trocas de cenários e de figurinos, não há nada de minimalista ou discreto na maioria das peças de teatro do gênero musical. Apesar do preço dos ingressos continuarem elevados, os espetáculos estão se tornando cada vez mais populares no circuito Rio-São Paulo. Na capital paulista, por exemplo, estão em cartaz 13 musicais, incluindo grandes títulos como O Rei Leão, O Mágico de Oz e Alô, Dolly!.

O Comércio conferiu dois deles - O Mágico de Oz e O Rei Leão. Nas duas sessões, a platéia ficou absorta, tomada pela energia emanada do palco. A cada canção apresentada, as palmas irromperam calorosas. O alvoroço foi maior em Ciclo da Vida, o colossal número inicial de O Rei Leão, que simula uma reunião de animais da savana, contando até mesmo um elefante cênico no palco. “Está muito bem produzido, a qualidade é excelente”, disse a jornalista Letícia Andrade, que assistiu ao Rei Leão e engrossou o coro da plateia que elogiou de forma entusiasmada a apresentação. Mas, mesmo gostando do resultado final, ela apontou falhas “Percebi falhas técnicas no som no primeiro ato, e as adaptações das canções me deixaram incomodadas. Mas os musicais me atraem, porque são bem elaborados, o ator tem que se dedicar mais e gosto de ser embalada pela música”, concluiu.

Tamanha produção não pode ser reproduzida em palcos de ‘rasa’ estrutura e, por essa razão, cidades do interior normalmente não têm chances de receber apresentações do tipo. Mas, de acordo com o maestro da Orquestra Sinfônica de Franca, Nazir Bittar, musicais de menor dimensão podem chegar à cidades do interior, como Franca, por exemplo. “A grande maioria dos musicais só pode ser montada em teatros com estrutura para cenário, figurino e iluminação apropriada. Há, porém, outros musicais que se adaptam muito bem a teatros normais, como O Fantasma da Ópera e Chicago. Eles podem circular em cidades menores sem prejuízo para o efeito final do espetáculo.” Ainda de acordo com Nazir, o Teatro Municipal de Franca possui mesa de som e sistema de iluminação suficientes para atender produções itinerantes ou mais simples. “A troca de cenário talvez pudesse ser um problema, já que nosso teatro ainda não possui os mecanismos de roldanas, mas impossível não é. O que também facilitaria muito a vinda de musicais e óperas à cidade seria a existência de um fosso no palco do Municipal.”

HISTÓRIA DOS MUSICAIS
Um musical pode ser definido pela combinação de diálogos, canções e dança. Uma das peças pioneiras com tais características foi The Black Crook, consideradas por estudiosos o primeiro musical. Ele estreou na Broadway em 1866. No entanto, as canções de musicais no fim do século 19 e começo do 20 não eram atreladas à trama. A revolução viria com espetáculos como Show Boat, de 1927.

No Brasil, o musical tem suas origens no teatro de revista, originado em meados do século 19. O musical clássico estabelecido pela Broadway chegou ao Brasil na década de 60, com Minha Querida Lady (My Fair Lady). Com a instalação do regime militar, musicais politizados também invadiriam os palcos, como as obras de Chico Buarque: Roda Viva, Calabar, Gota D’Água e Ópera do Malandro.

Hoje, as montagens se tornaram tão frequentes que existem profissionais cuja carreira está voltada para o gênero. É o caso de André Torquato, que faz o Espantalho em O Mágico de Oz. “Há uns 12 anos atrás, o público tinha um certo preconceito com o teatro musical, porque era uma coisa nova. Hoje, já faz parte da cultura do Brasil. Temos franquias vindas de fora, mas estamos cada vez mais musicais de autoria brasileira, o que é melhor ainda”, afirma.

O Rei Leão está em cartaz no Teatro Renault por tempo indeterminado. Já o Mágico de Oz encerra a sua temporada no próximo domingo, 26, no Teatro Alfa.

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