Vamos sediar no Rio de Janeiro no próximo mês de julho, entre os dias 23 e 28, a 38ª Jornada Mundial da Juventude, evento criado pelo Papa João Paulo II e destinado a reunir jovens do mundo todo. Com a presença do Papa Francisco em sua primeira viagem ao exterior, espera-se que nossa antiga capital receba perto de 2 milhões de pessoas.
Um pouco antes, a partir de 15 de junho, começa no país a Copa das Confederações, competição patrocinada pela FIFA, que precede a Copa do Mundo de futebol e serve para a realização dos ajustes finais nas instalações de suporte antes do grande torneio de 2014. Já em 2016 o Rio será palco, pela primeira vez na América do Sul, do maior evento esportivo do mundo depois da Copa, as Olimpíadas.
São eventos de excepcional importância para o turismo brasileiro, e a questão que se coloca é a seguinte: estamos preparados para receber (bem) todos os visitantes que demandarão nosso País? Hotelaria, segurança, limpeza pública, facilidades para a mobilização urbana (transporte) e, principalmente, informações, são pontos estratégicos de um programa destinado a recepcionar os visitantes, procurando orientá-los, encantá-los e atraí-los para um retorno.
Nossa participação no mundo dos negócios turísticos é pouco significativa e precisa aumentar. Recebemos, nos últimos anos, uma média de 5 milhões de turistas (o mundo registra quase 1 bilhão de chegadas), cuja atração resume-se ao Carnaval, praias e um ‘pouquinho’ de floresta amazônica. Cultura, história, arte, são exceções. Os otimistas gostam de alardear que São Paulo, a capital, é um movimentado centro do turismo de negócios. Pode ser.
Diante desses fatos, situemo-nos face a uma questão bastante simples, mas de extrema importância para os negócios do turismo, a da informação e comunicação. Repete-se, aqui e acolá, que o brasileiro é cordial, é comunicativo, alegre, que recebe bem todos aqueles que vem ao País. Naturalmente, isto é o mínimo para quem se candidata a anfitrião. A propósito daquela questão, um conhecido programa dominical de televisão mostrou, numa das suas últimas apresentações, que nos principais aeroportos brasileiros não existe nenhum sistema organizado e agentes preparados para orientar o visitante que chega ao País, suprindo-o de um mínimo de informações para orientá-lo a fazer câmbio de moeda, tomar um ônibus ou um taxi, alcançar o hotel onde irá hospedar-se e como movimentar-se pela cidade, chegando a seus principais atrativos. Nada. Até agora, despreparo total. Da língua inglesa, hoje a língua dos negócios mundiais, então nem se fala.
Afinal, nesses anos todos que antecederam a realização desses eventos tão importantes não percebemos a necessidade de proporcionar informações adequadas ao turista? O que fizeram as autoridades?
O Ministério do Turismo, órgão oficial do turismo brasileiro, é o grande ausente nesta empreitada. As entidades responsáveis pelos aeroportos (Anac, Infraero) desarticuladas das demais, também confirmaram as ausências.
Afinal, como trataremos os visitantes? Queremos recebê-los bem e esperar que voltem ou vamos fazer como Jérôme Valcke, o homem da FIFA, recomendou?
Vicente de Paula Oliveira
Economista
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