Vigilância x violência


| Tempo de leitura: 2 min

Bancos, instituições financeiras e agências dos Correios em Franca podem ser obrigados a instalar e manter em permanente funcionamento um sistema de segurança e monitoramento por câmeras de vídeo em suas áreas externas. Projeto de lei exigindo o investimento será votado nesta terça-feira pela Câmara Municipal. A intenção é reduzir casos de roubos e golpes contra os clientes, diz o vereador Adérmis Marini (PSDB), autor do projeto. Em que pese a boa intenção da iniciativa, é possível afirmar antecipadamente que acabar com a denominada ‘saidinha’ nas portas dos bancos, principalmente, não vai depender apenas deste monitoramento por vídeo.

O fato é que a violência vem tomando conta da cidade (e a atitude do vereador Marini, que também é escrivão de polícia, mostra isso) e essa situação fica ainda mais explícita diante da proposta, uma vez que parece que não existe nada capaz de evitar assaltos, furtos e os contos do vigário contra quem saca dinheiro nos terminais eletrônicos e caixas dos bancos. Já se exigem portas automáticas, monitoramento interno, biombos nos caixas e terminais e segurança reforçada. E nada disso vem contribuindo para evitar que golpistas e marginais armados deixem de atacar nas imediações dos bancos.

Nem mesmo a proposta apresentada à Câmara Municipal é uma fórmulas que levará mais segurança aos correntistas. Assim como em outras situações, se chega sempre à necessidade da vigilância por câmeras, como se filmar fosse inibir a ação de bandidos. Infelizmente tem se mostrado pouco eficiente. Ao se mostrarem cada vez mais ousados (vide o caso do ‘ladrão-pescador’, cuja notícia o Comércio publica nesta edição, o qual não se preocupou com a segurança e invadiu a loja, disparando o alarme), ladrões e assaltantes parecem não se inibir nem um pouco diante da gravação de seus crimes. Se a ação não for concatenada com a Polícia Militar, não há como esperar um resultado prático. As imagens, que não seriam monitoradas ‘in loco’ 24 horas, poderiam até levar ao reconhecimento dos marginais, mas dificilmente irão inibir as suas ações. Seria necessário que do outro lado da tela estivesse gente capaz de reconhecer atividades delituosas e rapidamente acionar agentes policiais. Do contrário, fica a gravação pela gravação para um possível reconhecimento posterior. É pouco.

Não há qualquer estudo ou amostragem que corroborem a preocupação (válida) do vereador. Assim como também não há solução mágica. Claro que é necessário pensar em caminhos para se melhorar a segurança e reprimir a violência que assola Franca. É alentador que há gente pensando nisso. Mas, ao mesmo tempo, é preocupante imaginar que nossas armas para o combate sejam tão precárias e pouco eficientes.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários