Em um texto divulgado em seu blog e em redes sociais da internet, o vereador Márcio do Flórida (PT), presidente da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga supostas irregularidades na construção do Viaduto “Dona Quita”, acusou a Câmara Municipal de Franca de ser omissa. Inconformado com a não prorrogação do prazo de vigência da CEI, ele disse que os vereadores não estão cumprindo com sua principal função: fiscalizar o Poder Executivo.
Para o petista, os vereadores não têm discutido e debatido as propostas e projetos como deveriam. “Estamos deixando de exercer nosso papel principal que é investigar. Independentemente do que se fale ou se argumente, não se consegue alterar o posicionamento de alguns vereadores... Ao invés de colaborarem com o meu trabalho, eles estão trabalhando para que as coisas não deem certo”, disse se referindo à Comissão.
Márcio do Flórida acredita ainda que a maioria dos vereadores teme represálias por parte da administração. “A omissão em não querer investigar está patente. Dez foram contrários à prorrogação. inclusive, o presidente [da Câmara, Jépy Pereira] que não vota, mas se manifestou contra. Parece que existe um medo em contrariar o Executivo, não só o atual como o anterior também. Isso não pode acontecer.”
Ao ser questionado sobre o motivo que leva os vereadores a apoiarem sempre o Executivo, o presidente da CEI disse que há favorecimento dentro do governo. “Infelizmente, é inerente à grande parte do Legislativo que age baseada no fisiologismo, que vota favorável a todas as posições do Executivo para, em troca, conseguir algumas dádivas deste mesmo Poder Executivo. Não são favores pessoais. Mas favores em relação ao atendimento às proposituras. Os vereadores que pedem uma quadra ou uma praça para seus bairros e votam contra têm muito mais dificuldades em serem atendidos.”
O petista se disse inconformado com a posição adotada por alguns colegas, entre eles, Marco Garcia (PPS), que na última sessão chegou a classificar como “palhaçada” o trabalho desempenhado pela CEI. “É uma crítica de quem não acompanhou uma audiência sequer da comissão. Estou tentando fazer um trabalho sério, pautado em fatos. Não admito que chamem este trabalho de palhaçada. Palhaçada foi a posição adotada pelos vereadores.”
O líder do governo na Câmara, o vereador Adérmis Marini (PSDB), negou que haja favorecimento. Já o presidente do Legislativo Municipal, Jépy Pereira (PSDB), disse que deve levar o caso à Comissão de Ética da Câmara (leia mais em texto nesta página).
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