Após sete horas de depoimento, a delegada Graciela de Lourdes David Ambrosio, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca, extraiu de uma adolescente, mãe de uma criança de sete meses, uma história chocante. De acordo com a versão da garota, de apenas 15 anos, o comportamento ciumento do ex-namorado e pai do bebê a teria motivado a desferir socos na barriga da criança. Além de sete costelas quebradas, ela tem pneumonia, suspeita de lesão no baço e respira com a ajuda de aparelhos na Santa Casa local.
A menor ainda revelou que seu atual companheiro, um encanador de 18 anos, também teria desferido socos no bebê pelo mesmo motivo. “Foi raiva, nervoso, ciúme, intrigas, tudo isso”, disse a garota, ontem à noite, ao sair da sala da delegada e sem querer dar maiores detalhes. O rapaz, em entrevista antes de prestar depoimento oficial, negou ter participado da agressão. Segundo a delegada Graciela Ambrosio, o encanador já teve passagens policiais por tráfico de drogas.
A adolescente estava acompanhada por seu pai, responsável legal pela guarda da vítima. Ele concedeu entrevista a um batalhão de jornalistas que aguardavam, desde às 15 horas, o desfecho do caso com a condição de que sua identidade não fosse revelada. Ele disse que teme que seu cunhado tente se vingar dele e de sua filha. “Minha filha estava com mentira até agora e eu não quero fazer injustiça com ninguém. Ela irá passar por um psicólogo e iremos consultar um advogado. O que tinha que falar, falei para a delegada”, comentou o avô da criança, logo após ser informado por um repórter que o quadro de saúde da neta havia se agravado.
Em uma coletiva de imprensa organizada às pressas em sua sala, Graciela Ambrosio disse que ainda não concluiu o inquérito, pois ainda existem muitas “pontas soltas” na história passada pela acusada. “A garota disse que descontou a raiva do ex-namorado na criança. Ela disse que estava com a filha no colo, jogou a criança na cama e acompanhada do atual namorado, passou a dar socos na região abdominal do bebê”.
O padrasto da criança, até o fechamento desta edição, permanecia prestando depoimento. Enquanto estava na sala de espera, o rapaz negou participação na agressão ao bebê. Ele se disse surpreso pelas lesões terem sido provocadas intencionalmente. “Soube que ela (a criança) tinha caído no chão. Dessa outra parte (a agressão) eu só fiquei sabendo quando cheguei aqui”, disse.
Ninguém foi preso e as investigações continuam. Ambrosio quer ouvir mais pessoas ligadas ao caso para definir responsabilidades e concluir o inquérito. A adolescente, que estaria vivendo com o atual namorado a poucos meses, pode responder por tentativa de homicídio, lesão corporal e tortura. A criança teve fratura em sete costelas (três do lado esquerdo e quatro do direito) e só recebeu atendimento médico dez dias depois da agressão.
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