Natália Dias Almeida, 41; Rogério Bonini Mendes, 32; Carlos César Gonçalves, 50; e um ainda desconhecido, que aparentava ter 40 anos. Todos morreram em atropelamentos no trânsito de Franca, entre o dia 8 de abril deste ano e o último dia 12. Os quatro acidentes têm um ponto em comum: mesmo com as vítimas ao chão, extremamente feridas, os motoristas não prestaram socorro e fugiram, de maneira covarde. A sequência de fatos chocou e revoltou a população da cidade.
Em três dos casos, a polícia precisou de árdua investigação para chegar aos autores. Tentando justificar as atitudes reprováveis, os motoristas alegaram medo e a tentativa de evitar um furto. Histórias difíceis de acreditar. Todos eles respondem por homicídio culposo, fuga e omissão de socorro.
A triste sequência de atropelamentos teve início na madrugada do dia 8 de abril. A babá Natália Dias Almeida, 41, morreu após a moto na qual estava na garupa ser atingida na traseira pelo carro do auxiliar administrativo Cleverson Dias de Oliveira Júnior, 22. A tragédia aconteceu na rodovia Cândido Portinari, em frente ao Franca Shopping. Oliveira Júnior se apresentou no 1º Distrito Policial após dois dias e alegou ter a frente cortada pela moto. Não parou porque achou que se tratava de uma tentativa de roubo.
Na madrugada do dia 18, um homem pardo, 40 anos, não identificado, foi encontrado morto, com politraumatismo, na rodovia Fábio Talarico. A polícia diz que ele foi atropelado. Sem testemunhas, o caso não foi solucionado.
2º DP
Os mais recentes casos, que tiveram difíceis soluções, aconteceram na zona Oeste, área do 2º Distrito Policial, chefiado pelo delegado João Walter Tostes Garcia.
Na noite do dia 21, o pintor Rogério Bonini Mendes, 32, foi atropelado por um Peugeot, dirigido pelo vendedor Guilherme Arantes Junqueira, 24, na rua Escrivão Marcos Sodré, Vila Nossa Senhora de Fátima. O carro foi abandonado horas depois na Estação. Após dois dias internado na Santa Casa, Mendes morreu. Junqueira se apresentou três dias depois. Disse que tentou evitar um furto praticado pelo pintor, mas que perdeu o controle e o atingiu sem querer.
No domingo, 12, o curtumeiro Carlos César Gonçalves, 50, morreu quando voltava do trabalho de moto, no quilômetro 398 da rodovia Cândido Portinari. Ele foi atingido na traseira pelo Fiesta prata do promotor de vendas Jander Flávio de Oliveira, 19. O motorista foi localizado após imagens da Autovias serem divulgadas, mostrando a cor e o tipo do carro. Em depoimento, somente na última sexta-feira, Oliveira disse não ter visto a moto, e não parou para prestar socorro por temer agressões.
Para o delegado do 2º DP, esses foram uns dos casos mais difíceis de investigar. “Quando a pessoa foge, tem que fazer o uso de informações de filmagens, câmeras de segurança para poder descobrir. No último caso, a câmera não identificou a placa, mas identificou a cor, o tipo do veículo”, disse Garcia.
Para o delegado, o jovem é “mais afoito”, e isso explica o fato dos três motoristas identificados terem entre 19 e 24 anos. O policial explica que o homicídio culposo em acidente de trânsito não gera flagrante, desde que a pessoa não tenha bebido. É obrigação do motorista que se envolve em um acidente parar para prestar socorro. “Mesmo se não parar, seja por medo ou qualquer outro motivo, pelo menos acione o resgate e se apresente de imediato na delegacia como autor”, orientou Garcia.
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