Invasão de peixes faz alegria de pescadores


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Com varas de bambu, molinetes e banquetas, pescadores invadem ponte sobre o Rio Grande.Polícia Rodoviária alerta para o risco de acidentes no local
Com varas de bambu, molinetes e banquetas, pescadores invadem ponte sobre o Rio Grande.Polícia Rodoviária alerta para o risco de acidentes no local

Esta não é uma história de pescador. Os ranchos paradisíacos e a simpática orla da praia artificial foram relegados ao segundo plano no balneário de Rifaina. A pescaria é a febre do momento. Há 20 dias, não se fala em outra coisa na cidade a não ser a invasão de milhares de tilápias no Rio Grande. Tratando-se de pesca, exageros são permitidos. Corre a informação de que 20 mil ou 30 mil peixes foram parar na represa. Uma fonte de confiança ligada à Prefeitura local garante que são 60 mil. O fato é que a situação provocada pelo rompimento de um tanque quebrou a rotina da pacata cidade. Todos os dias, centenas de pessoas disputam espaço sobre a ponte para encontrar um lugar na água e jogar a linha com o anzol. A grande concentração de gente criou um comércio ambulante onde é possível comprar desde cerveja gelada até a isca.

A alegria dos pescadores é resultado de um problema que afetou a empresa M.Cassab Foods. A firma cria tilápias em tanques para vender. No fim de abril, um destes tanques usados para a engorda se rompeu. Os peixes, é claro, fugiram e ganharam o rio. Oficialmente, a M. Cassab admite que escaparam cinco mil exemplares.

Não demorou para que a notícia sobre a multiplicação de peixes tomasse conta da cidade e se espalhasse para a região. Local de concentração das tilápias, a ponte que divide Rifaina e Sacramento (MG) passou a ser um território disputado por homens, mulheres e crianças. Muitos com mais de uma vara. É impressionante a quantidade de linhas jogadas no rio. “Tem que pegar senha para jogar o anzol’’, brincou um pescador enquanto o fotógrafo do Comércio, Wilker Maia, registrava as imagens.

Em cima da ponte, não há lugar para mentiroso. Os pescadores contam vantagens e mostram o peixe. Foi cena comum encontrar gente com sete, oito tilápias nas mãos. A todo momento, a vara ou o molinete eram puxados com um “bichão” pesando em torno de um quilo. “Sempre que posso, vou pescar. É quase todo dia. Já fui umas 15 vezes. Em um único dia, peguei umas 50 tilápias da hora do almoço até o fim da tarde”, contou o pedreiro Roni Von Seco, morador de Rifaina.

A diversão dos pescadores também é sinônimo de alegria para quem precisa fisgar um dinheiro extra. A ponte se transformou num camelódromo, onde ambulantes passam com caixas de isopor vendendo refrigerantes e cervejas. “A água é de graça, cortesia para o freguês”, disse um deles. Se o pescador de primeira viagem esqueceu ou levou a isca errada, não tem problema. Por R$ 10 compra um potinho com o alimento preferido das tilápias.

Quem não está gostando nada da história é a polícia. Se por um lado o mar, ou melhor, a represa está para peixe, por outro, a grande concentração de gente sobre a ponte por onde passam muitos carros e caminhões, é vista com preocupação. “É um risco. Temos feito rondas constantes para recomendar cautela e tentar evitar atropelamentos”, disse o sargento Marco Túlio, da Polícia Rodoviária de Araxá, responsável pelo trecho mineiro da ponte.

O ROMPIMENTO
A M.Cassab Foods estima um investimento de R$ 19 milhões para a montagem do frigorífico de peixes em Rifaina. A unidade terá capacidade produtiva mensal de 400 toneladas de tilápias para distribuição e comercialização.

Segundo os responsáveis pela empresa, todo o processo de criação de tilápias é certificado por agências. Nas águas de Rifaina, há 26 tanques para criação, nem todos em atividade. “Não sabemos ainda o que aconteceu [rompimento]. Apareceu um rasgo em um dos nosso tanques, mas é difícil identificar o motivo. Não é possível contabilizar quantos peixes perdemos”, disse Gustavo Bozzano, diretor-responsável.

Os tanques são de aço galvanizado com cobertura de um plástico especial anticorrosivo. “Para estourar, tem que ter 150 vezes mais de pressão de peixes do que temos em nossa estrutura.”

A empresa não descarta que possa ter havido uma sabotagem. “É possível, apesar de termos uma segurança reforçada no local.”

A M.Cassab Foods tem dois mergulhadores que fazem a vistoria diária dos tanques. O rasgo, que teria ocorrido durante a noite, foi consertado nas primeiras horas da manhã seguinte. A empresa disse que o prejuízo financeiro foi pequeno. A Cetesb solicitou um relatório da ocorrência à empresa, mas não fez autuações. As licenças estão em dia e não houve dano ambiental, pois a tilápia é um peixe que já está presente no Rio Grande.

Se ficou com vontade de comer um filé de tilápia, não espere muito. A disputa está acirrada.

Colaborou Wilker Maia

Veja as fotos da pescaria em Rifaina:

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