Casa Cariris: o México em São Paulo


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Um dos pratos servidos é o pico de gallo, feito com abacate, laranja e chilli
Um dos pratos servidos é o pico de gallo, feito com abacate, laranja e chilli

Casais são fascinantes quando encerram em si uma aura de magia inalcançável aos outros. Acontece às vezes: alguns casais parecem habitar uma bolha etérea que demarca ferreamente o ambiente privado do público. E ainda que bolhas estourem por aí todos os dias, cultuamos a ideia de casais assim.

Felipe Ehrenberg é uma das pontas de uma dessas uniões que faz muitos babarem e, muito embora não seja chef de cozinha, se dedicou à arte dos coquetéis porque está, desde há muito, envolvido com a outra ponta: Lourdez Hernandéz. Ambos mexicanos e adidos culturais do México, vivem em São Paulo e “causam” por onde andam.

Bem, na verdade, Felipe é muito mais, é um artista plástico renomado, trabalhou inclusive com nosso brasileiríssimo Di Cavalcanti. Uma de suas obras pode ser admirada no restaurante Mocotó, lá há um belo e alegre mural de sua autoria.

Inquieto, atribui-se e faz uma lista de atividades: ator, professor, político, diplomata, artista, mas, acima de tudo, adora dizer que gosta é de viver feliz ao lado de sua mulher, essa sim, dona de uma das melhores mãos mexicanas de toda São Paulo. Os entendidos reclamam muito que São Paulo seja carente de bons restaurante mexicanos, que não sirvam o “tex-mex”, que não sirvam Doritos em lugar dos nachos. O que Lourdez faz é comida mexicana de verdade, autêntica e gostosa.

Lourdez é jornalista e escreve sobre comida há muitos anos, escrevia lá no México, escreve agora por aqui. Mas deixa claro que o amor veio antes de tudo, depois a comida.

A conjunção “escrita e comida” lhe é quase carnal, porque a justificativa, para que a comida virasse arte em suas mãos, foi justamente o seu amor pelo parceiro. Lourdez diz: “Quando comecei a me interessar na cozinha como língua paralela? Foi depois de meu casamento. Precisava alimentar a meu marido e fazer isso resultou ser uma fonte de prazeres completamente desconhecidos para mim.”

Ambos decidiram misturar as suas artes e expandir suas fronteiras, se mostrarem. Por isso, fizeram de sua morada um restaurante, uma extensão do México autêntico no Brasil. Pode parecer devassante, mas não é, porque o restaurante só existe para quem eles desejarem. O local é “clandestino”, sem endereço ou telefone à disposição dos “não amigos”, corre à boca miúda.

O local é conhecido como Casa dos Cariris, muito bem falado por quem frequenta. Trabalha às portas fechadas e, os jantares ou almoços, são semanais. A tradição da culinária mexicana e a qualidade dos ingredientes dão o tom. Muitas vezes esses ingredientes são trazidos diretamente do México pela chef. Um dos pratos servidos é o pico de gallo, feito com abacate, laranja e chilli. Também o mixiote de carneiro, feito com tomates verdes enrolados em folhas de agave, outra opção é o peixe ao molho pipián, que leva sementes de abóbora - e por aí vai.

O módico preço dos jantares, que às vezes contam com 5, 6 pratos, é de mais ou menos R$ 70. E se quiser, os drinks são feitos por Felipe. Dizem que a marguerita de tamarindo é seu ponto alto.

Os jantares na Casa Cariris se valem por muito mais: a casa é linda; a decoração, autêntica mexicana; os temperos, à vista na cozinha, mais lembram uma bruxa; e, claro, tem o casal, que cheios de vida, enfeitiçam a todos os que estão a sua volta.

DICA DA SEMANA

Vejo, pelos cardápios dos restaurantes, que adoramos escondidinho de carne seca. Acho que é porque é gostoso mesmo, mas, sobretudo, porque é aquele tipo de comida que reconforta. A origem do escondidinho é do Pantanal, embora pareça mais coisa nordestina.

Não sei se todo mundo sabe fazer, mas passo para vocês aqui hoje o modo de fazer um escondidinho perfeito. A receita vem direto de um hotel pantaneiro.

Deve-se aferventar a carne seca para retirada do sal. Depois a frite em óleo e pingos de água, assim ela doura, toma cor, mas não resseca. Só depois de pronta é que se coloca os temperos que desejar, cebola sempre. Daí coloque mais água, deixe ferver e vá engrossando com farinha de trigo, a intenção é fazer um creme.

No liquidificador, bata a mandioca com leite. A quantidade de leite é incerta e apenas suficiente para bater a mandioca. Essa mistura deverá ir para a panela, refogada no azeite, cebola, e o que mais desejar e deixe cozinhar bem.

Num pirex, forre o fundo com a massa cozida, no meio a carne seca e por fim a massa cozida novamente. Queijo parmesão para gratinar. Deixe o escondidinho mais delicado substituindo a farinha de trigo por creme de leite fresco e deixando reduzir até engrossar. Use o creme de leite com uma colherinha de maisena.

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