O legado do viaduto ‘Dona Quita’ é horroroso para a cidade. Consumiu milhões de reais dos contribuintes e, por conta de erros da administração passada, que sabia de irregularidades no projeto, o atual governo deverá gastar mais R$ 2 milhões para reparar.
A obra está fora de padrões técnicos e apresenta problemas graves de drenagem de águas pluviais, segundo laudo do Ministério Público. Para resolver, a população terá que colaborar de novo, enfrentando graves problemas de mobilidade na região onde está a obra.
As cidades repetem os mesmos erros quando de grandes obras. É o caso da nossa. Construir viadutos arruina a paisagem urbana, não resolve as questões de mobilidade com adequação e causa gravíssimos problemas aos imóveis adjacentes, que enfrentam desvalorizações comerciais. A cidade de São Paulo tem repensado construções do tipo. Lá, viadutos, que servem de depósito de lixo, abrigo para usuários de drogas e palco para cenas de violência, começam a perder espaço.
Aqui, a possibilidade é recorrente. O prefeito Alexandre Ferreira anunciou o intenção de construir outro, desta vez, no cruzamento das avenidas Champagnat e Ismael Alonso Y Alonso.
É indispensável que, à vista de grandes obras, a gestão municipal faça audiências públicas, seja para informar a população sobre os projetos e, essencialmente, ouvir o que as pessoas pensam.
Essas audiências têm que servir como foro de debates sobre objetivos, vantagens e desvantagens do que se planeja. As pessoas, em pleno exercício de cidadania, devem estar atentas, saberem que têm que fiscalizar, e cobrar, de seus representantes políticos, as melhores alternativas para o desenvolvimento da cidade, além rumos que atendam as necessidades da coletividade, da forma mais democrática possível.
Na questão de resoluções para melhoria do trânsito, Franca tem que priorizar o transporte coletivo, mas continua optando por facilidades para o transporte individual. Além disso, nada, ou praticamente nada, se pensa para proteger ou prestigiar o pedestre.
O prefeito Ferreira está, ainda, em começo de mandato. Tem tempo para repensar conceitos e corrigir rumos. A sociedade tem, em seu próprio benefício, que cobrá-lo e a todos os agentes públicos quanto a decisões que impactam no dia a dia da cidade. Tem, também, e principalmente, que exigir que sua voz seja ouvida, antes das tomadas de decisão. As pessoas precisam, então, se preparar para o exercício da voz política.
Não adianta apenas reclamar, sem agir, deixando tudo como está. O amadurecimento político é essencial. Sem isso, continuará elegendo despreparados.
Mateus Menezes Nascimento
Estudante universitário
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