Precisamente nesta data (verso da foto) os irmãos Ophelia e Joaquim Junqueira saíram de Porto Ferreira - SP e foram a Uberabinha - MG visitar a família de Rita Francisca de Araújo para formalizar o pedido de casamento que Joaquim fizera ao pai dela, dono do cartório daquela região, Sr. Francisco Emílio de Araújo. Joaquim, mecânico, mulato trabalhador bom de música e dono de finas maneiras herdadas de seus pais e avós, se encantara com Ritinha, moça tanto quanto geniosa, pois órfã no nascimento de mãe, criada como filha e a pão de ló pela irmã mais velha Didinha, que nunca lhe negou qualquer pedido. Nem o de parar de estudar no final do primeiro ano do curso primário porque ir à escola era chato demais. Naquela manhãzinha foram os quatro passar a tarde na fazenda - mais tarde entregue como pagamento de dívidas de jogo do chefe da família - à beira do rio Uberabinha, lá pros lados da Cachoeira do Sucupira. O pai de Ritinha era bom e amoroso. Um dia lhe disse: ‘Ritinha, esteve aqui o sêo Joaquim, homem bom, honesto, educado que pediu sua mão em casamento. Se você quiser, eu aprovo.’ Ela, embora brava feito cobra, respondeu: ‘Se meu pai faz gosto, quem sou eu para discordar?’. Ele repetiu: ‘Somente se você gostar dele!’. Acho que ela gostava: a lembrança que tenho deles, meus avós maternos, é de casal que envelheceu e durante o caminhar esteve sempre de mãos dadas. Casaram-se em 12 de outubro daquele ano. Tia Ophelia está à direita deles e tia Badiinha, meio-irmã de vovó, à frente do cortejo, também carregando laranjas.
(Lúcia H. M. Brigagão)
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