Decisão de adiar alargamento deve custar no mínimo R$ 2 mi a mais


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Vereadores da CEI, Donizete da Farmácia (PSDB), Claudinei da Rocha (PP) e Márcio do Flórida (PT) ouvem o engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceschi
Vereadores da CEI, Donizete da Farmácia (PSDB), Claudinei da Rocha (PP) e Márcio do Flórida (PT) ouvem o engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceschi

Uma opção feita pelo ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e pela então secretária de Planejamento, hoje vereadora, Valéria Marson (PSDB), vai custar no mínimo R$ 2 milhões a mais aos cofres municipais. Os dois decidiram ignorar as recomendações e construir o viaduto “Dona Quita” antes de realizar obras de contenção de enchentes no local. A afirmação foi feita pelos engenheiros da Prefeitura Marco Antônio Franceschi e Eri Pereira dos Santos, que prestaram depoimento ontem à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga supostas irregularidades na construção do viaduto.

O primeiro a depor foi Franceschi, designado para fiscalizar a construção. Ele afirmou que o alargamento do córrego Cubatão e a implantação de um sistema de drenagem para as águas das chuvas são necessários para acabar com as enchentes no local. Em novembro do ano passado, ele já havia alertado a Prefeitura a respeito em seu depoimento à Comissão de Acompanhamento do viaduto montada pela Câmara. “Mantenho tudo o que disse. O alargamento deveria ser feito antes da construção da ponte. Na verdade, antes mesmo do viaduto.”

Com o viaduto e a ponte escantilhada já prontos, para realizar a mesma obra, o custo será o dobro do inicialmente previsto. “Antes íamos aproveitar a estrutura já montada pela Leão Engenharia que construiu o viaduto. Além disso, não existia a ponte nem as limitações por ela impostas.”

Franceschi também afirmou que alertou o secretário de Planejamento, Wilson Teixeira, a respeito das falhas do projeto ainda no início da obra. “Assim que percebi o que estava acontecendo, eu falei com ele, que me pediu um estudo para resolver o problema e eu fiz. Depois, mais tarde, soube que havia problemas com o Ministério Público para que a obra fosse realizada”, disse se referindo ao fato de o promotor de Justiça Paulo Borges ter se posicionado contra um aditamento no contrato com a Leão Engenharia para o alargamento do córrego. Para o promotor, era preciso uma nova licitação. O ex-prefeito acabou desistindo da obra.

O engenheiro também foi categórico ao afirmar que a construção do viaduto agravou as enchentes no local. “Quando eles fizeram o aterramento para o viaduto, tamparam diversas bocas de lobo. No projeto original, não havia nenhuma reposição desta drenagem. Com os problemas que surgiram, eles resolveram abrir outras bocas em outros locais, mas sem nenhum estudo que comprovasse que elas funcionariam da mesma forma.”

Depois de Franceschi, foi a vez de Santos depor. Ele também foi encarregado de acompanhar as obras. Seu depoimento reforçou as afirmações do colega. Disse que não houve discussão do projeto do viaduto dentro da Secretaria de Planejamento, ao contrário do que havia afirmado a ex-secretária Valéria Marson. Segundo ele, os engenheiros só tomaram conhecimento de como seria o viaduto depois que a licitação já havia sido encerrada. “Só tivemos acesso ao projeto executivo. Antes, não houve discussão a respeito. A secretaria é muito pequena. Todo mundo conversa e sabe o que o outro está fazendo. No caso do viaduto, ninguém soube de nada.”

Santos afirmou que o projeto básico foi assinado pela ex-secretária e pelo engenheiro da Copen, Paulo dos Santos Netto (leia texto nesta página). “Achei estranho que tenha tido um projeto arquitetônico para um viaduto. Normalmente, isso não é preciso. Só o projeto de engenharia é o suficiente.”

Assim como Franceschi, Santos também defendeu que o alargamento do córrego deveria ter sido feito antes do viaduto ou, no máximo, ao mesmo tempo. “O projeto deveria prever as duas coisas. A licitação também. Mas, por uma opção política, não foi isso que aconteceu.”

Ele disse que, se as obras de drenagem e alargamento tivessem sido feitos ainda durante a construção do viaduto teriam custado R$ 2,3 milhões. “Agora, pelo levantamento que fizemos, devem ultrapassar a casa dos R$ 4 milhões”.

Entre as dificuldades que devem encarecer o projeto, o engenheiro citou o fato de os pilares da ponte escantilhada não permitirem que o alargamento ultrapasse os oito metros de distância de uma margem a outra. “Antes a ideia era um alargamento entre 9 e 9,5 metros para que a vazão pudesse aumentar e não houvesse inundações. Com a ponte, ficamos limitados a oito metros, o que nos obrigou a aprofundar o canal em 70 centímetros.” Sem o aprofundamento, as enchentes continuariam. “Fizemos todos os cálculos e não há outra solução.”

Além disso, por conta deste aprofundamento, o alargamento que antes ficaria limitado a 140 metros de extensão, agora deverá ter 175 metros. “Outro fator de encarecimento é que, com a ponte, não poderemos usar as máquinas mais pesadas. O trabalho será muito maior.”

O diretor da Divisão de Indústrias, Comércio e Serviços da Secretaria de Desenvolvimento, Deivyd Rodrigues, também foi ouvido. Ele foi o responsável pela parte econômica do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) do viaduto. Seu depoimento acrescentou muito pouco à comissão.

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