Análise do' As Mulheres do Sexto Andar' no Cinema e Psicanálise


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Trama de As mulheres do Sexto Andar passa-se em Paris, nos anos 60
Trama de As mulheres do Sexto Andar passa-se em Paris, nos anos 60

Dando continuidade ao Projeto Cultural Cinema e Psicanálise de Franca, teremos no próximo sábado, dia 18 de maio, a exibição do filme francês As Mulheres do Sexto Andar.

Este projeto está na esteira de uma tendência mundial de abertura e democratização da Psicanálise para o acesso da comunidade aos seus conhecimentos e forma de pensar, o que durante muito tempo só era possível ocorrer dentro de uma sala de análise ou das Sociedades Psicanalíticas.

Mas assim como há neste filme a situação de um casal francês apegado a velhos hábitos pessoais e sociais que os afastaram e desvitalizaram, também o psicanalista precisou romper com velhos hábitos enrijecidos: o uso (equivocado) de uma postura impessoal e o apego a técnicas rígidas que levaram ao encastelamento e isolamento da Psicanálise.

Freud, em seus últimos trabalhos, alertou sobre essa tendência humana de idealização da psicanálise como algo que tudo explicaria e resolveria. Na verdade ele criou uma ciência que pertence à grande tradição científica da liberação do pensamento em relação ao dogma, que luta para que idéias não sejam acorrentadas a crenças filosóficas, científicas ou religiosas. Assim a psicanálise revitaliza ao buscar pensar o impensável, inconcebível ou inadmissível.

Desta forma e neste contexto, temos a satisfação de promover mais um debate sobre o filme As Mulheres do Sexto Andar, que será apresentado pela Psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto, Rosângela de Oliveira Faria, atual editora da revista científica desta Sociedade, a Berggasse 19 (referência ao endereço de Freud em Viena) e secretária geral da Federação Brasileira de Psicanálise (Febrapsi) no Biênio 2009-2011.

Nas palavras de Rosângela, “este é um filme que trata de uma das questões mais caras ao ser humano: a conquista da liberdade para ser, verdadeiramente, quem se é. Sua narrativa, construída com delicadeza e leves pitadas de humor, nos mostra que para alcançar este encontro consigo mesmo, é necessário que se encontre antes um lugar na mente do outro, em que seja possível aprender a sentir, imaginar e a pensar as próprias experiências. Neste sentido, proponho observar o personagem Jean-Louis, um homem de meia idade que, a partir do convívio com suas vizinhas espanholas, descobre o quanto vivia aprisionado em um mundo mental desvitalizado e sem ressonância afetiva. A disponibilidade amorosa destas mulheres, especialmente Maria, é o fator primordial para Jean-Louis ter acesso a emoções cujo nascimento psíquico estava obstruído. Assim vamos acompanhando o desenvolvimento gradativo de suas funções mentais de descobrimento, contato e compreensão de seu mundo interno. Ambientado nos anos sessenta, o filme é pertinente também para refletirmos sobre as relações voláteis da sociedade contemporânea, onde observamos indivíduos com carência de instrumentos psíquicos para pensar e comunicar-se, o que por sua vez leva à perturbação da curiosidade da qual depende a capacidade para aprender e se desenvolver.”.

SERVIÇO
Cinema & Psicanálise: As Mulheres do Sexto Andar
Data: 19 de maio
Horário: 15 horas
Local: Sede do Centro Médico de Franca - rod. Tancredo Neves, saída para Claraval Km 2.
Entrada: R$5. Ingressos vendidos a partir das 14h30

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