Câmara rejeita e vereadores de Franca ficam sem férias de julho


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O vereador Laercinho (PP) disse que o sistema atual é ‘legado importante’ deixado por ex-vereador Marcelo Valim e que deve ser respeitado
O vereador Laercinho (PP) disse que o sistema atual é ‘legado importante’ deixado por ex-vereador Marcelo Valim e que deve ser respeitado

Se algum vereador fez um pacote de férias para o inverno, é melhor cancelar a viagem. Pela quarta tentativa seguida, a Câmara rejeitou o projeto que autorizava a concessão de 15 dias de recesso em julho. A proposta teve apenas seis votos favoráveis e nove contrários. A rejeição deflagrou uma ácida discussão entre defensores e críticos das férias.

O clima no plenário sinalizava outro desfecho. Cinco vereadores foram à tribuna discutir a proposta e todos fizeram discursos favoráveis. Não houve opiniões contrárias. “Não tem nada de ilegal. Estamos apenas fazendo uma troca. Não coloquei a faca no pescoço de ninguém. Vocês assinaram porque quiseram”, disse o autor Jépy Pereira (PSDB), se referindo a colegas que haviam assinado o projeto, mas que estavam propensos a votar contra.

“Em julho, as coisas dão uma fracassada”, disse Luiz Vergara (PSB). “É uma questão justa. O maior fluxo de projetos ocorre em dezembro. Temos de ter postura e votar por convicção”, afirmou Daniel Radaeli (PMDB), tentando convencer os colegas preocupados com a repercussão negativa.

Os apelos foram em vão. Dos dez votos necessários, a proposta recebeu apenas seis: Radaeli, Vergara, Marco Garcia (PPS), Valéria Marson (PSDB), Zezinho Cabeleireiro (PPS) e Jépy Pereira. “Só assinei para que a ideia pudesse ser debatida, mas sou contra. Não concordo que julho seja um mês fraco. O sistema atual é um legado importante deixado pelo Marcelo Valim e tem que ser mantido”, disse Laercinho (PP).

Feliz com o resultado, pastor Otávio (PTB) saiu cumprimentando os vereadores que votaram contra, como ele. Pulou os que eram favoráveis. Defensora das férias, Valéria Marson não gostou e censurou a atitude do petebista, mas sem citar o seu nome. Já Marco Garcia não fez cerimônias e “excomungou” o pastor. “O senhor vive fazendo viagens desnecessárias e, agora, quer fazer demagogia. Me senti desrespeitado. Aqui não é lugar de hipocrisia.”

Normalmente conciliador, pastor Otávio não fugiu da briga. “Apenas parabenizei os que votaram contra. Não entendi como desrespeito. Se entenderam assim, peço desculpas, mas o plenário é democrático. Ganhar ou perder faz parte do jogo.”

O ano legislativo termina na primeira semana de dezembro, mas os vereadores ficam presos à Câmara por causa das sessões extraordinárias, sempre convocadas pelo prefeito. Além de não ganharem nada, podem ter desconto no salário se faltarem sem justificativa. Por isso, queriam mudar parte das férias para julho.

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