Guerra fiscal volta ao debate


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Uma comissão de deputados estaduais de São Paulo, das bancadas governista e de oposição, manifestou ontem (14/5) ao presidente do Senado, Renan Calheiros, em Brasília, preocupação com a versão de projeto do Senado aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) semana passada

Segundo o grupo paulista, a proposta, que ainda será examinada pelo plenário, se aprovada terá um impacto “negativo” na economia paulista e de outros estados das regiões Sul e Sudeste. Os deputados paulistas em uníssono defendem a retomada da versão original da proposta elaborada pelo governo federal e que sofreu modificações no percurso.

Segundo o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira (PSDB), as alterações feitas contrariam o espírito da reforma proposta inicialmente para acabar com a chamada guerra fiscal. “São alterações que não interessam ao País. É um modelo ultrapassado. Queremos que seja mantido o projeto original com uma alíquota de 4% para todos”, afirma. Calheiros afirmou que “o texto tem recebido muitas críticas, inclusive de outras comissões” e revelou que o assunto poderá ser debatido em reunião de líderes.

Originalmente, a proposta unificava em 4% a alíquota do ICMS interestadual para todos os estados, mas o texto aprovado na CAE mantém alíquota especial de 12% para a Zona Franca de Manaus e estende para todos os produtos e serviços do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Espírito Santo a alíquota de 7%. De acordo com o projeto, nesses casos, as alíquotas de ICMS no estado de origem passariam de 12% e 7% para 4% até 2021. Os deputados paulistas dizem que as três classes de alíquotas tornariam ainda mais complexa a legislação do ICMS e incentivariam a guerra fiscal, além de gerar incertezas jurídicas, que inibiriam investidores e a geração de empregos. Samuel Moreira disse que “cabe à União promover o desenvolvimento regional e diminuir as diferenças regionais, mas com investimento e uma política de desenvolvimento, não com incentivos que tiram recursos de outros estados”.

De acordo com levantamento da Secretaria de Fazenda de São Paulo, a aprovação da nova versão do projeto pode acarretar uma redução na arrecadação de mais de R$ 7 bilhões ao ano no Estado, dos quais R$ 1,8 bilhão pertence aos municípios paulistas. São recursos destinados às prefeituras para construir e manter creches, escolas, Unidades Básicas de Saúde, hospitais, transporte e infraestrutura urbana. Também a Fapesp, entidade de pesquisa do Estado, custeada com 1% da arrecadação do ICMS, perderia recursos, além das universidades USP, Unicamp e a Unesp.

A comissão paulista foi formada, além de Moreira, pelos deputados Alex Manente (PPS), Itamar Borges (PMDB), Celso Giglio e Mauro Bragato (ambos do PSDB), Luiz Cláudio Marcolino (PT) e Regina Gonçalves (PV). Participaram da reunião no Senado também o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB) e o secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Júlio Semeghini. Antes de visitar o Senado, a comissão de deputados foi recebida no Palácio do Planalto pelo vice-presidente da República, Michel Temer.

Crosta espessa
O Interior Paulista é a região com a crosta mais espessa em todo o País, com até 46 quilômetros de profundidade. Ao contrário, uma área entre o norte de Goiás e o Sul de Tocantins e a plataforma continental entre os estados do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo, é constituída por uma crosta fina inferior a 35 quilômetros e por isso é mais sujeita a tremores de terra porque está submetida a um excesso de carga que a faz vergar, facilitando o surgimento de fraturas e o deslizamento de rochas. Os dados constam de estudo de um grupo de pesquisadores coordenado pelo sismólogo Marcelo Assumpção, da USP, que concluiu levantamento sobre as variações de espessura da crosta terrestre no Brasil. O estudo é apresentado pela revista Pesquisa Fapesp de maio.

Breves
• A Assembleia Legislativa de São Paulo promove nesta quarta-feira (15/5) a audiência Muito Além da Maioridade Penal - Desafios para a Construção de Políticas Efetivas de Prevenção e Enfrentamento à Violência entre Crianças e Adolescentes.
• A Fundação Getulio Vargas (FGV) inaugurou unidade na avenida Faria Lima, na capital paulista. A poucos metros do metrô, com 13 cursos de pós-graduação no período noturno e aos sábados, as aulas terão início em agosto.
• O mercado de orgânicos no Brasil é calculado em cerca de R$ 1,5 bilhão (faturamento em 2012), sendo que um terço do valor é representado por exportações brasileiras no período.
• Marina Silva, que está à frente da criação de um novo partido, Rede Sustentabilidade, participará nesta quinta-feira (16/5), em São Paulo, do lançamento do livro A Desgovernança Mundial da Sustentabilidade, do professor José Eli da Veiga (USP).
• R$ 5,5 bilhões é o volume de negócios gerados pela feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas), no Expo Center Norte. O evento teve a participação de 550 empresas, das quais 147 internacionais, com participação de 65 mil empresários e executivos.

Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br

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