A intenção do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em priorizar os artistas de Franca em detrimento de atrações de maior peso junto ao público, na edição da Expoagro deste ano (que começa já na próxima sexta-feira), mereceria elogios. Isso caso não fosse essa uma saída apressada diante da dimensão que tomou a sua decisão anterior de que a feira agropecuária deste ano não terá grandes shows musicais. A proposta parece que tentou amenizar o verdadeiro tsunami que tomou conta da cidade, com reclamações surgindo por todos os lados diante da falta de atrações de renome nacional. Afinal, e isso é cultural, a Expoagro é um evento eminentemente técnico e só consegue atrair o público francano — tornando-se uma opção de lazer em uma cidade carente dele nas últimas décadas — por causa dos espetáculos com cantores reconhecidamente populares.
A ação, criada às pressas pela Prefeitura, totalmente sem organização ou planejamento, pode ou não atingir o resultado esperado pelos organizadores da exposição. O risco é grande, pois a quatro dias do início da atração, somente ontem foi divulgado quem vai se apresentar no Parque de Exposições “Fernando Costa”. O chamado FestCultura — atração idealizada para cobrir a falta de cantores de MPB, grupos de pagode ou duplas sertanejas — teve sua formatação divulgada na manhã desta segunda-feira, apesar de Alexandre Ferreira haver afirmado na sexta-feira que naquele mesmo dia tudo estaria definido.
O amplo leque aberto para a participação de artistas locais não se restringe apenas à música, passando por artes plásticas e teatro. Ninguém sabe ao certo como se vai harmonizar tudo isso. Embora o prefeito garanta que a partir de agora este será o caminho para as próximas edições da Expoagro, quem acompanhou a sua entrevista na última sexta-feira percebeu que pode não ser bem assim. A repetição deste FestCultura vai depender da resposta do público na sua estreia. Apesar de tentar demonstrar que a contratação de artistas de renome para a exposição, pelo menos com ele, estaria com os dias contados, só a participação do público francano é que dirá se a saída encontrada é a ideal.
Em cima da hora, a organização da Expoagro ainda procurou contratar uma empresa especializada para ficar por conta dos espetáculos, sem encontrar qualquer interessado em participar dentro do que era exigido. Agora, espera-se que a própria Prefeitura, ao assumir as apresentações durante a exposição, também assuma todas as exigências que apresentou às empresas especializadas em realizar os espetáculos, entre elas as atinentes à segurança dos frequentadores e dos artistas, o que está consolidado em TAC (Termo de Ajuste Circunstanciado) assinado com o Ministério Público. Este, aliás, precisa averiguar de perto a sua execução, como vinha sendo feito nos anos anteriores. Caso contrário, a emenda ficará pior do que o soneto e Alexandre Ferreira terá que se render à incapacidade da Prefeitura em cuidar dos shows populares da Expoagro.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.