Mesmo diante de toda a diversificação da economia francana na última década, a indústria de calçados da cidade conseguiu avançar. Nunca se produziu tanto sapato em Franca quanto em 2012. Foram 37,8 milhões de pares em doze meses. A maior marca atingida desde 1985, quando os número de produção começaram a ser acompanhados. Os dados são do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) e mostram ainda que, nos últimos dez anos, a produção de sapatos na cidade deu um salto de 45%, o equivalente a 11,8 milhões de pares (veja quadro ao lado nesta página).
Para o presidente do Sindifranca, o empresário José Carlos Brigagão, o crescimento da produção é resultado direto de investimentos feitos pelos próprios calçadistas no desenvolvimento de produtos de melhor qualidade e de incentivos fiscais concedidos pelos governos estadual e federal. “O desenvolvimento de novas tecnologias, a redução do ICMS paulista, as desonerações e incentivos fiscais contribuíram para que a indústria pudesse aumentar sua capacidade produtiva, apesar de ter havido nos últimos anos, uma queda na produtividade da mão de obra. Hoje é preciso contratar mais para se produzir o mesmo ou até menos do que era há 10 anos”, disse.
O empresário ainda cita como fatores que contribuíram para o aumento a estabilidade econômica do País e a queda nas exportações. “No final dos anos 90, a indústria calçadista, estrategicamente, voltou-se para o mercado interno, que se mostrava bastante promissor. O crescimento do poder de compra e do consumo também motivou o desenvolvimento de nossa indústria e contribuiu para o aumento da produção.”
Fábio Cândido, presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, também cita os mesmos fatores para explicar o grande crescimento da produção de calçados. Mas lamenta que os trabalhadores não tenham obtido ganhos reais na mesma proporção. “Ao contrário do que os empresários sempre afirmam, os negócios cresceram muito nos últimos anos. Um aumento de 45% na produção não é nada desprezível. Agora, eu pergunto e o trabalhador, o que ganhou?”
Segundo ele, apenas nos últimos dois anos, os trabalhadores tiveram aumentos reais; nos demais, houve um achatamento dos salários. “O ideal era que o piso da categoria fosse R$ 1,2 mil, mas ainda estamos longe disso com os R$ 821.”
Brigagão rebate e contesta os números. “O aumento da produção se deu pelo surgimento de novas tecnologias e de investimentos das próprias indústrias, inclusive os reajustes salariais da categoria nos últimos nove anos foram de 45% de ganho real, isto é acima da inflação. Esse aumento poderia ser ainda maior, se não fosse a perda de produtividade da mão de obra nos últimos anos, que encareceu os custos industriais.”
EMPREGOS
Para dar conta do aumento de pedidos e produção, os calçadistas tiveram que contratar. Nos dez últimos anos, a indústria gerou quase nove mil postos de trabalho na cidade. Para Fábio Cândido, esse foi o maior benefício trazido pelo aumento de produção. “Pena que ainda não tenhamos um salário tão bom.”

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