Comunidades de Franca ‘pipocam’ no Facebook e geram repercussão


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O produtor cultural Murilo Bianchini é um dos membros da Rede Cultural de Franca. Grupo luta pela revitalização da antiga Estação
O produtor cultural Murilo Bianchini é um dos membros da Rede Cultural de Franca. Grupo luta pela revitalização da antiga Estação

Desde o começo de 2012, a população francana tem se reunido para dialogar sobre vários aspectos do município. Só que sem sair de casa. Os “pontos de encontro” são as comunidades na rede de relacionamentos Facebook, que rapidamente estão se popularizando entre pessoas de todas as idades e posições, inclusive com a participação de vereadores da cidade.

Quem procura pelos grupos na mídia social criada pelo programador-empresário Mark Zuckerberg pode se surpreender com a diversidade apresentada por eles. Há aqueles voltados para discutir aspectos culturais de Franca; outros focados em debater os problemas enfrentados no dia a dia pelos moradores e ainda existem espaços que se dedicam a divulgar as belezas e relembrar o passado da cidade.

Nesta última categoria enquadra-se a que deve ser a maior comunidade do município no Facebook: a Apaixonados por Franca. Criada em 7 de abril de 2012 pelo vereador Daniel Radaeli (PMDB), ela se tornou até mesmo uma lei (cujo projeto foi proposto pelo próprio vereador). O texto legal institui a data de criação da comunidade como o Dia dos Apaixonados por Franca, que contará inclusive com membros sendo homenageados anualmente.

Hoje, após pouco mais de um ano de sua criação, a rede já possui 12.905 membros. “No ano passado, tirei uma foto da igreja matriz e postei no Facebook com a frase ‘Franca - uma das minhas paixões’. No outro dia, mais de 300 pessoas haviam curtido. Muitas delas me chamavam para participar de grupos e fui estudar como se fazia um.” Radaeli achou que era interessante criar uma comunidade também. “Divulgar as belezas do município faz com que francanos que moram em países distantes se aproximem da cidade através do Apaixonados por Franca”, disse Radaeli.

Com o passar do tempo, a comunidade foi se popularizando, e muitos membros assumiram o papel de fotógrafos, registrando pontos importantes da cidade. “Outro foco do grupo é o resgate histórico da cidade. Com o tempo, passaram a postar acervos pessoais, que nenhum museu tem. Uma comunidade vive da história dos seus antepassados”, diz o vereador.

Mas nem todos preferem ver Franca apenas por lentes positivas ou saudosistas. O adestrador e radialista Adoniran Thomaz, o Dino, 41, criou a sua De Olho em Franca, que hoje tem 1.566 membros, justamente para dar vazão às reclamações dos francanos sobre diversos aspectos, como mato alto, buracos em ruas e falhas no atendimento médico. “Criei uma comunidade para que as pessoas se manifestem não só por coisas boas, mas as ruins também. Dou liberdade para todo mundo comentar, desde que de forma produtiva”, afirma Dino.

O debate cultural e a divulgação de eventos na área também é a preocupação de pelo menos duas comunidades locais: a Rede Cultural de Franca e a Francativa. A primeira possui mais usuários -são 1.275 - e tem no produtor cultural Murilo Aleixo Bianchini, 25, um dos seus principais apoiadores. “É um local para trocar informações, conhecer os agentes culturais de Franca e divulgar eventos. Outra frente é fiscalizar o que está acontecendo com as políticas públicas culturais. A questão do Centro Cultural Salles Dounner é uma das nossas lutas”, disse. O grupo defende a revitalização da Antiga Mogiana, no Bairro Estação, hoje praticamente abandonada.

O Francativa foi idealizado pelo corretor de imóveis Cícero Assis, 39. Ainda está nas suas primeiras postagens, mas o grupo já tem bem definido seu propósito. “Quero abrir os olhos do francano, que vive no seu mundinho, isolado, com relação a problemas sociais e culturais da cidade. Queria criar um espaço para o pessoal divulgar sua própria arte e comentar o que pode ser feito para melhorar Franca”, disse.

Entre as comunidades humorísticas da cidade está a Franca Depressiva, que já foi curtida por 9.820 usuários do Facebook. Tendo a ironia como principal instrumento, as fotos e mensagens do grupo destacam os pontos negativos da cidade, como a insegurança do trânsito.

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