Leve, colorido e gostoso


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Este prato se tornou um dos meus favoritos, porque é rápido no preparo, bonito, perfumado e muito saboroso; para mim comida tem de ter cor, cheiro e gosto bem definidos.
Este prato se tornou um dos meus favoritos, porque é rápido no preparo, bonito, perfumado e muito saboroso; para mim comida tem de ter cor, cheiro e gosto bem definidos.

“ Se Deus quisesse proibir que bebêssemos, por que teria feito o vinho tão bom? ”
Cardeal de Richelieu (1585-1642)
primeiro-ministro de Luís XIII, arquiteto do Absolutismo na França.

Em 1692 foi publicado em Nápoles o livro Lo Scalco alla Moderna, com receitas de vários pratos já conhecidos dos povos da região. Numa das páginas, Antonio Latini, o autor, ensina a fazer um “molho de estilo espanhol”, com pedaços de tomates sem pele e sem sementes, alho, cebola, salsa, sal e pimenta, levados ao fogo baixo acrescidos de azeite e vinagre. É de se supor então que a essa altura o tomate já fosse muito mais conhecido na Espanha que no território do qual se tornaria um ícone.

Os fundamentos são históricos. Como as batatas, os feijões, o milho, o cacau e o abacate, o tomate desembarcou primeiro em Sevilha, desde final do século XV um dos principais centros de irradiação comercial para toda a Europa, principalmente a Itália e os Países Baixos. Navios oriundos da recém-descoberta América descarregaram primeiro no porto sevilhano os alimentos novos, considerados exóticos e só muito depois integrados à dieta popular. Quem visita a cidade, pode ver no porto demarcações que lembram o período. E num dos muitos museus, encontrar o livro de um célebre cozinheiro, Juan Altamiras, datado de 1745, onde se encontram muitas receitas, treze delas com o tomate ocupando lugar de destaque.

Mas este fruto (pois tem sementes), que até hoje muitos insistem em classificar como legume, necessitou de mais um século para ganhar a confiança irrestrita de espanhóis, italianos e franceses, sendo usado nos seus primórdios europeus mais como decoração do que alimento. E isso apesar dos relatos dos conquistadores sobre o uso em larga escala do fruto por incas, aztecas e maias, que lhe deram o nome- tomatl- que a maioria dos povos conservou mas os italianos rebatizaram como pomo d’oro, fruto de ouro, por causa da cor. Os primeiros tomates levados à Europa eram de cor amarela.

Atualmente, e com especial ênfase desde que os nutricionistas frisaram a importância nutritiva e até terapêutica do tomate, cuja substância chamada licopeno representa natural proteção ao organismo, seu consumo vem bombando. O importante papel na dieta mediterrânea, que produz longevos, tem sido outro fator para aumento de consumo em todo o planeta.

Os tomates podem ser divididos em diversos grupos, de acordo com seu formato e sua finalidade de uso: o oblongo Santa Cruz, em saladas e molhos; o redondo e grande Caqui, em saladas e sanduíches; o alongado Italiano, principalmente em molhos; o mini Cereja, lindo e adocicado, em saladas e aperitivos. Ou na forma de cama para um filé de peixe levíssimo, que você faz com um pé nas costas. Tornou-se uma das minhas receitas preferidas, porque é rápida no preparo, bonita, perfumada e muito saborosa. Para mim, comida tem de ter cor, cheiro e gosto definidos.

Primeiro lave os filés em água corrente, escorra bem e tempere com sal e pimenta-do-reino de ambos os lados. Deixe descansar por meia hora. Enquanto os filés tomam gosto, prepare a cama de tomates, que não é um molho, antes um refogado. Lave e enxugue os tomatinhos: corte ao meio metade deles, o restante deixe inteiros. Lave e enxugue as folhas de manjericão. Corte em plumas meia cebola roxa e deixe a outra metade para temperar o caldo onde se vai cozinhar o peixe. Numa frigideira tefal coloque uma colher de azeite e aqueça. Disponha todos os tomates, inteiros e metades, sacudindo a frigideria pelo cabo por três minutos. Junte a cebola e usando uma colher de pau mexa para que as plumas se soltem e até que murchem. Desligue a chama. Junte o aceto balsâmico e as folhas de manjericão. Tampe a frigideira e reserve. Em outra, que seja larga e alta, coloque água, vinho, a metade restante da cebola, dois dentes de alho inteiros, quatro folhas de louros. Deixe levantar fervura e junte o raminho de manjericão. Coloque os filés, um ao lado do outro. Tampe a frigideira e deixe cozinhar por oito minutos. Se necessário repita a operação, pois os filés não podem ser sobrepostos porque grudam. Retire com espumadeira, um a um, e disponha sobre a caminha de tomates. Enfeite com raminho de manjericão. Buon appetito.


Ingredientes

4 filés de pescada
200 gramas de tomatinhos-cereja
½ cebola roxa inteira
½ cebola roxa em plumas
10 folhas de manjericão
2 colheres (sobremesa) de aceto balsâmico
1 raminho de manjericão
4 folhas de louro
1 colher de azeite de oliva
1 xícara (chá) de vinho branco seco
1 xícara (chá) de água
2 dentes de alho (inteiros)

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