O ‘Sermão do Monte’, conforme consta do capítulo V do Evangelho de Mateus, verdadeiro cântico de consolação e esperança pronunciado por Jesus, revela suas verdadeiras dimensões aos que admitem a anterioridade e a posteridade da vida espiritual.
Para bem entendê-lo, é preciso considerar a realidade do espírito e suas implicações existenciais, a necessidade de que nos submetamos ao imperativo de sucessivas reencarnações, até que, alcançada relativa pureza, sejamos desobrigados de voltar a corpo físico.
Tão importante é o pronunciamento de Cristo que Mahatma Gandhi, o líder da ‘não violência’, afirmou que ‘se se perdessem todas as obras sacras e se salvasse apenas o Sermão do Monte, nada se teria perdido.’ Mateus, ainda no capítulo V de suas anotações, registra ‘bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados’.
E, se bem observarmos, a vida na Terra parece constituir-se de aflições. Todos sofremos. Seja pela morte de uma pessoa querida, seja por um flagelo natural, por uma doença grave, seja, ainda, por um familiar que se desencaminhou.
Enfim, não há uma só pessoa, uma só família, que não tenha atravessado ou esteja atravessando um momento difícil, de aflitiva aferição de valores. É então que vem a pergunta: ante tanta aflição, que atinge a humanidade terrestre, podemos concluir que todos seremos consolados?
Uma constatação segura n’O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo V, nos dá conta de que é preciso que identifiquemos a origem dos nossos sofrimentos, porquanto vêm eles de duas causas distintas, as quais nos vemos obrigados a facear perante nossa própria consciência: as que se situam no nosso passado de erros, a que chamamos ‘causas anteriores das nossas aflições’, e as ‘causas atuais’. Aquelas têm seus efeitos nos males que lhes correspondem em intensidade e natureza, se nada fizemos para conjurá-los. Estas últimas as constatamos a todo momento, quando perdemos a oportunidade de ser bons.
Assim, por exemplo, os preguiçosos são, eles próprios, os responsáveis pelas dificuldades que defrontam. Os imprevidentes, no futuro, sofrerão pelo que não souberam prevenir. Os extravagantes de toda ordem enfrentarão enfermidades, seja pelo abuso dos tóxicos, seja pela alimentação desenfreada, ou pelo excesso no uso das energias sexuais...
As Leis Providenciais, contudo, nos beneficiam, ainda que, para isso, tenham que se valer de corrigendas dolorosas. Daí porque São Francisco de Assis chamar ‘irmã dor’ àqueles sofrimentos que nos promovem a elevação moral, consoante o que houvera sido proclamado por Jesus no seu cântico de esperança e consolação, destinado aos sofredores de todas as épocas.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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