Mais armas?


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“Há pouco, tive a ousadia de comentar nesta coluna que, sob o ponto de vista tecnológico, não poderíamos esperar grandes novidades para a indústria de calçados”

O texto de abertura é de Zdenek Pracuch. Em sua coluna de primeiro de janeiro deste ano, aqui no Comércio, ele continuava: “Escrevi que a atenção deveria ser concentrada no aprimoramento da gestão e da comercialização condizente com terceiro milênio. Fatos me desmentiram. Sinto-me feliz por isso porque, de certa maneira, pode representar uma redenção para a indústria de calçados e seu enquadramento dentro das solicitações dos tempos novos: a impressão 3D. (...) Viveremos uma nova revolução industrial ainda no decorrer de 2013. Não é fantasia, não”.

Pois é. O velho sapateiro remoçou, ao perceber as aplicações possíveis da nova tecnologia, especialmente quanto a aplicações na área calçadista. Nos Estados Unidos, no entanto, já se buscava, na mesma ocasião, forma de tornar a possibilidade, armamento. Aconteceu. Desenvolveram um revólver para ser impresso em plástico por impressora 3D especial. O projeto, em arquivo, foi disponibilizado na Internet. Aconteceram 800 mil downloads. A organização DEFCAD, americana, construiu a arma e testou (veja vídeo em http://www.youtube.com/watch?feature=player—embedded&v=drPz6n6UXQY). Funcionou. O link do download já foi suprimido, mas... O ser humano enviesa tudo. Lembrei-me da história de Santos Dumont, brasileiro, inventor do avião. Desgostoso e em profunda depressão com a utilização de sua criação para a guerra, suicidou-se aos 59 anos.

(Dona Marie, viúva de Pracuch, ligou esta semana para agradecer ao GCN pelo carinho dos relatos sobre sua morte. Também, às muitas mensagens direcionadas à família através do GCN.net e por leitores deste Comércio. Não precisava, dona Marie. Pracuch continua vivo através de suas ideias e das práticas industriais que ensinou a tantos quantos quiseram ouvi-lo).

CASÓRIO
Meu sobrinho, Alexandre Lazarini (o ‘Tilê’, como o conhecem), filho da querida Luzia (irmã de minha mulher) e a doce Alcione, se casaram dia 8 desta semana, com celebração presidida por Frei Ditinho na Igreja Nossa Senhora das Graças. Foi emocionante e foi divertido vê-los sorrindo muito entre eles e, mais ainda, das brincadeiras do padre diferente e referencial. Que o casamento seja extensão do alto astral com que os noivos vivem suas vidas.

OPINIÃO
Recebi vários manifestações sobre o texto ‘É guerra!’ de sábado passado, a maioria concordando: o rumo é reeducar os pais. Dia 16, quinta-feira, vou ao Champagnat, falar a professores conscientes, e também ouvi-los sobre a questão. Violência e impunidade, filhas bastardas da educação que deixou de existir, continuarão campeando se pais e mães não voltarem a ser pais e mães.

SEM CERIMÔNIA
Cresce a pressão de funcionários públicos que servem o mundo político sobre entidades que convidam autoridades graduadas a que prestigiem eventos. Aceito o convite, a ordem aos funcionários é clara: tomem conta do evento. Vamos lá, fazer política. Ai, vale tudo. A ferramenta principal se chama ‘pressão’. A Ordem Geral de Precedência, conjunto de normas internacionalmente aceitas para a condução de ações cerimoniais de eventos, tem sido reduzida a cinzas no Brasil. Agentes que cuidam da imagem de políticos não têm qualquer pudor em cancelar ações de alta relevância programadas pelos anfitriões. A própria noção de anfitrionismo – quem paga a conta, quem produz evento de finalidade específica para lançar ou institucionalizar causas, ou, finalmente, em definição bem popular, quem recebe em sua casa – tornou-se descartável. Agentes políticos perceberam, e faz tempo, o terreno amedrontado e, porisso mesmo, fértil. Habitualmente, anfitriões cedem. Querem, precisam da presença da autoridade. É ai que o círculo se fecha. Abre-se o precedente. Anfitriões estão se tornando meros pagadores de oportunidades para que políticos brilhem. Suas próprias causas? Ora, suas causas... O problema, que cresce, tem explicação. Há milhares de ‘cerimonialistas’ por ai, sem preparo, sem formação dura e adequada, além de milhões de ‘assessores’ que, observando quem faz, tornam-se ‘especialistas’. São exatamente esses que degradam a função e causam o viés de ‘tomada de poder’ que cerimoniais públicos têm praticado. Acerque-se de cerimonialistas certificados. A arte de bem anfitrionar e garantir cumprimento à Ordem Geral de Precedência é para quem, por formação profissional atestada, não aceita pressões. Não permita que na cozinha de sua casa gente de fora decida o cardápio do dia. Se você aceita, perde sua identidade, e a de suas causas.

PAIS
Se sou alguém, se continuo preocupado com o que este mundo está se tornando, se não desisto de fazer fazer diferença utilizando os recursos que tenho e as mídias que este GCN me possibilita utilizar, se continuo dizendo ‘bom dia, como vai, perdão e obrigado’ independente de quem esteja à minha frente, devo tudo a meu pai, Domingos, e à minha mãe, Juraci, ela que, para minha alegria plena, ainda está comigo. Também, e especialmente, a seus puxões de orelha e tapinhas amorosos e comprometidos, já que em tantos momentos, testei se podia desrespeitá-los. Eles, sempre juntos, me passaram o sentido de família (que, felizmente, construí da mesma forma com minha mulher – que também trouxe de sua casa, a mesma visão –; e com nossos filhos), o respeito que deve imperar nas relações humanas, o gosto pela verdade, pela beleza e pela justiça. Os agradeço por terem me feito gente. Ranzinza, mas gente. Tenho abraçado mamãe, que ainda está comigo, todos os dias de minha vida. Amanhã, lhe darei dois abraços. O de sempre, por ter me gerado e continuar me aturando até hoje, o que não é muito fácil. O outro, não porque o calendário comercial manda, mas porque a gente não sabe se a saudade vai bater e podemos estar longe.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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