As obras do novo sistema de captação de água do rio Sapucaí-Mirim foram parcialmente interrompidas na manhã de ontem, depois que 30 funcionários, indignados com o atraso de seus pagamentos, resolveram cruzar os braços. São operários, serventes, mestres de obras e operadores de retroescavadeira que reclamam da construtora Gomes Lourenço. Segundo os trabalhadores, a empresa não estaria cumprindo uma série de direitos trabalhistas.
A construtora foi contratada, há nove meses, pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para tocar um projeto que promete duplicar o volume de água captado atualmente e abastecer Franca pelos próximos 30 anos. O custo total da obra é de R$ 160 milhões e, segundo a Sabesp, até o momento, a construção não está atrasada.
O encarregado de obras e líder do protesto, Luciano de Oliveira Pereira, 33, morador do Jardim Paulista, disse que todos os meses a empresa atrasa o pagamento dos quase 70 funcionários. “Eles não pagam e ainda ficam nos ameaçando para não falarmos para a Sabesp. Colocamos panos quentes até agora, mas estamos cansados. Temos compromissos que precisamos honrar e eles não nos deram nem previsão de quando a questão será resolvida.” Segundo Pereira, o pagamento normalmente é feito de cinco a dez dias após a data preenchida no holerite. “Eles não pagam a diferença desse atraso e, desta forma, os únicos prejudicados somos nós.”
De acordo com o operador de escavadeira José Reis dos Santos, 60, morador do Jardim Aeroporto I, a empresa não fornece cesta básica nem vale-alimentação. “Eles entregam as marmitex todos os dias, mas descontam do nosso salário. Além disso, nos registraram com uma função na carteira de trabalho e depois colocam a gente para trabalhar em outra. Eu mesmo fui contratado para operar um tipo de escavadeira e já trabalhei por quatro meses em outra totalmente diferente”, disse Santos, que informou ter mais de 30 anos de experiência em construção. “Nunca vi uma coisa assim. Nosso trabalho é pesado e perigoso. Cavamos uma vala, montamos tubos de duas toneladas e depois fechamos. Qualquer erro pode custar a vida de seis ou sete companheiros. Eles têm que levar a gente mais a sério”, desabafou.
A reportagem manteve contato com a construtora Gomes Lourenço na tarde de ontem. Foi enviado um e-mail questionando as reclamações dos operários. A empresa confirmou o recebimento da mensagem e prometeu encaminhar um comunicado oficial. Mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
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