Público juvenil prestigia monólogo no Sesi com Antônio Abujamra


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Antônio Abujamra não concede entrevistas, mas atende aos fãs no camarim, mesmo ofegante após apresentar, a uma plateia de quase 220 pessoas, seu monólogo A Voz do Provocador. Aos 81 anos, o corpo paga o preço pelo espetáculo que dura mais de 60 minutos. “Chega de fotos, vão todos para a...” disse em tom de brincadeira arrancando risos de quem foi conhecê-lo nos bastidores do teatro do Sesi, na tarde de ontem.

Horas antes, por volta das quatro da tarde, um enorme grupo de estudantes aguardava, na entrada do teatro, para ouvi-lo falar. O público adolescente tinha os ânimos exaltados e, mesmo após acomodarem-se no anfiteatro e soar o sinal de aviso para o início do espetáculo, o som de vozes não cessou. “Silêncio”, gritou, com pouco sucesso, alguém da coxia.

Sem se abalar, Abujamra atravessou com passos curtos todo o palco. Sua presença marcante - ou talvez o seu jeito de ‘avô ranzinza’ - chamou a atenção de todos e o ator foi recebido com aplausos. Ao sentar-se à frente de uma mesa simples, sem enfeites ou coisa que o valha, puxou para si o microfone e pôs-se a ler, de forma declamada, Tabacaria, de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa). Nos primeiros minutos, textos profundos, que exigem reflexão para serem compreendidos, deram sequência ao primeiro. Alguma dispersão ou, o oposto, atenção redobrada, podiam ser observadas neste momento. Abujamra parecia atingir o seu objetivo: provocar.

Seguindo o roteiro, mudou-se para uma mesa sob a qual estendia-se uma colcha de retalhos e alguns livros. A partir daí a apresentação mudou os rumos e um tom informal e participativo deixou mais à vontade os presentes. Nem mesmo um problema técnico na aparelhagem de som conseguiu atrapalhar o fluxo do monólogo, que trouxe para o contexto cotidiano declarações célebres e textos inquietantes como Mudança, de Clarice Lispector.

Além da postura no início da apresentação, o conteúdo do monólogo parece que também atingiu o objetivo. “A parte em que ele fala sobre mudança me chamou muito a atenção. Foi mesmo provocativo”, disse o estudante Lucas Cruvinel Lima.

Para quem esperava encontrar na “voz do provocador” apenas vocabulário rebuscado, espantou-se ao vê-lo falar seus palavrões e histórias apimentadas, claramente aprovadas pelos risos da plateia. “Não parece, mas ele é engraçado” disse alguém ao deixar o teatro.

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