Saúde: comitê começa a abrir a caixa preta da Santa Casa


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Prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), membro do comitê gestor: ‘O foco é a transparência’
Prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), membro do comitê gestor: ‘O foco é a transparência’

A Santa Casa de Franca possui um setor de marketing, eventos e imprensa que emprega nove pessoas, algumas, com salário de R$ 5,5 mil. Também fazem parte da folha de pagamento dois arquitetos e um engenheiro. O gasto com pedreiros gira em torno de R$ 32 mil por mês. As informações fazem parte de um relatório com os números do hospital que será revelado pelos integrantes do comitê gestor na próxima semana. Antes da abertura total da caixa preta, os excessos identificados começaram a ser cortados e funcionários dispensáveis, demitidos. A medida de contenção, somada ao aporte financeiro feito pelo Estado e Prefeitura, contribuiu para o estancamento da dívida. Depois de muito tempo, o hospital fechou um mês sem novos credores.

Medicamentos amargos tiveram que ser ministrados. Detentores de altos salários no setor administrativo foram cortados. Dos nove funcionários alocados no marketing, só restaram três. “Onde há necessidade de serviço, aumentamos a exigência da qualidade. Onde não há, fizemos cortes. Na imprensa, uma pessoa só resolve. No marketing, a mesma coisa. A Santa Casa, dificilmente, organiza eventos. Quando organizar, a gente pode tirar pessoas de outros lugares. Esta é uma maneira de reduzir custos sem perder qualidade”, disse o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que faz parte do comitê.

Na próxima quarta-feira, o comitê gestor promoverá evento para detalhar as finanças do hospital para a diretoria, corpo clínico, colaboradores, imprensa e sociedade em geral. “O foco é a transparência. Vamos abrir os números e apresentar tudo o que fizemos e o que levantamos. Isso vai dar credibilidade ao trabalho do comitê.”

O déficit mensal da Santa Casa era estimado em cerca de R$ 2,5 milhões. A situação começou a mudar em abril com a implantação do sistema de cogestão. Após aceitar os termos propostos pelo governo estadual - que condicionou a ajuda financeira à abertura da administração e de dados mantidos em segredo -, o hospital passou a receber mais recursos do Estado e da Prefeitura. A ajuda reforçou o caixa em torno de R$ 2,1 milhões por mês.

Ao mesmo tempo em que começou a chegar mais dinheiro, os gastos passaram a ser controlados. Com isso, o desequilíbrio financeiro foi contido. “Deixamos de trabalhar no vermelho, decidimos não fazer novas dívidas. A medida permitiu que a gente conseguisse manter materiais e medicamentos para garantir o atendimento”, explicou Alexandre.

Após o estancamento da dívida, os gestores, agora, terão pela frente o desafio de pôr para funcionar equipamentos que estão parados por falta de manutenção, além de realizar procedimentos suspensos pela crise financeira. “Alguns serviços vamos comprar fora e voltaremos a fazer 50 cintilografias por mês.”

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