Paraguai e China


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Os meios de comunicação deram destaque nesses dias a dois fatos interessantes na área do comércio internacional. Primeiro, o déficit na balança comercial brasileira (exportações menos importações) e, segundo, a disposição - em alguns casos já realidade - de empresas brasileiras irem produzir no Paraguai. Eles obedecem à uma racionalidade insofismável imposta pelas leis da economia. O custo Brasil, a artificialidade do câmbio, a necessidade do atendimento da demanda, estimulada pelas facilidades oferecidas aos consumidores são as razões.

Pela primeira vez, em muitos anos, a balança comercial nos primeiros quatro meses apresentou pesado saldo negativo: US$ 6,15 bi. Em abril exportamos US$ 20,6 bi, mas importamos US$ 21,6 bi, resultando num déficit de US$ 994 mi. Saldo positivo? Só um, pequeno, em março. As autoridades econômicas contemporizam afirmando que, ao longo do ano, as coisas vão se acertar e tudo voltará ao normal, isto é, ao equilíbrio ou até, quem sabe, a um superávit nas transações correntes. Polyana está aí para confirmar!

No entanto, quem não acredita nesta fábula são os empresários ligados ao comércio com o resto do mundo, sobretudo aqueles não vinculados aos negócios com ‘commodities’.

Quem produz em reais sobrevalorizados e vende em dólares sente que exportar, presentemente, não é um bom negócio. Mesmo quem tem mercado cativo no exterior sente dificuldades no transporte das suas mercadorias até os portos e, nestes, as vicissitudes para o embarque. O custo Brasil inibe o mais experimentado e otimista dos empresários.

Manda a racionalidade econômica que se produza, sempre, ao menor custo possível, e que se venda ao melhor preço. Uma equação em si muito simples, dita aqui para analisarmos o segundo ponto que levantamos acima, o dos deslocamentos geográficos da produção manufatureira, internos e externos.

Eles ocorrem em busca de condições favoráveis e seguras para os negócios, como por exemplo, o caso da indústria automobilística brasileira que, diante das pressões sindicalistas (em alguns casos até violentas, como aconteceu com a Ford nos anos 90), procuraram ‘sair’ do ABC paulista.

Mundialmente, o fenômeno mais importante neste movimento foi o da China, fruto da convergência da (profunda) mudança política proposta por Deng Xiaoping, sucessor de Mao Tsé-Tung, com os interesses norte-americanos.

A partir da iniciativa do presidente Nixon, em 1972, estavam lançadas as sementes de uma nova política industrial para o mundo. Racionalidade econômica e projeto político modernizado acabaram ajudando a China a tornar-se a segunda mais importante economia mundial. Articulados com empresas virtuais, vários outros países do sudeste asiático ingressaram na onda de relocalização da produção.

Assim, não é de se espantar que indústrias brasileiras procurem o território paraguaio para produzir. Elas estão buscando, dentro das regras do mercado, sobreviver e crescer fugindo dos custos elevados, da carga tributária excessiva, do emaranhado de leis e regulamentos que mais complicam do que facilitam. O Brasil não poderia internalizar os benefícios desse movimento?

Vicente de Paula Oliveira
Economista

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