Estamos caminhando para o final do tempo litúrgico da Páscoa. Hoje a Palavra de Deus nos ensina sobre a herança que Cristo nos deixou: o Amor.
Chegando ao final deste tempo de ouro para a Igreja, é preciso que estejamos convencidos deste amor e, sobretudo, que estejamos abertos à sua experiência num mundo cada vez mais marcado pela intolerância e pelo medo. Meditemos sobre os ensinamentos da Palavra de Deus proclamada na Eucaristia.
1ª LEITURA — ATOS 15
A primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, narra o episódio conhecido como “Concílio de Jerusalém”. Aconteceu para ajudar na superação dos desafios pastorais da caminhada cristã, devido às diferentes maneiras de encarar a necessidade ou não de manter os ritos judaicos em meio aos povos pagãos. Com Paulo, a prática pastoral consistia em inserir os pagãos no povo de Deus após sua adesão a Jesus Cristo. O Concílio de Jerusalém confirma a prática pastoral de Paulo. A comunidade cristã de Jerusalém, pela luz do Espírito, aprendeu a valorizar as decisões pastorais da comunidade de Antioquia, reconhecendo a mão de Deus no esforço da Igreja no anúncio do Evangelho em meio aos pagãos.
O concílio dos apóstolos discerne que não é a Lei, mas sim Cristo quem salva, o que não quer dizer abolição integral da Lei. Por isso mesmo, ele recomenda preservar algumas normas e práticas dos judeus cristãos.
2ª LEITURA — APOCALIPSE 21
O livro do Apocalipse se destina aos cristãos que enfrentam dificuldades por causa das perseguições. Para infundir-lhes coragem, o autor revela o que acontecerá no fim dos tempos. No trecho do domingo passado ele considerava o povo de Deus sob a figura de uma esposa muito bonita. Neste domingo compara-a a uma maravilhosa cidade, da qual descreve todas as características:os muros, os alicerces, as doze portas, distribuídas pelos quatro lados. Este último detalhe tem um significado muito profundo: o número quatro, na Bíblia, indica a universalidade; a porta, evidentemente, se refere à possibilidade de entrar. O sentido da figura é, portanto, o seguinte: o povo de Deus está aberto para o mundo, em direção ao sul e ao norte, ao oriente e ao ocidente; dá acolhida para todos os homens, elimina qualquer separação, rejeita tudo o que divide e discrimina.
Nesta cidade não existe o templo, e isto é muito significativo. No céu não haverá mais ritos, nem cerimônias, nem práticas religiosas: o homem não precisará mais de mediações, encontrará Deus face a face. A maldade, o sofrimento, as trevas já não existirão mais.
EVANGELHO — JOÃO 14
No evangelho a primeira afirmação de Jesus é esta: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada”. O que ele quer dizer com isso?
Quer dizer que nós, depois de termos escutado a palavra do Evangelho, recebemos a vida de Deus e nos tornamos capazes de realizar as mesmas obras de Jesus e do Pai: nós também nos tornamos libertadores dos homens. Não é difícil saber se numa pessoa está presente Deus. Procuremos saber, por exemplo, o que dizem de nós os colegas de trabalho e de escola, a mulher, os filhos, os vizinhos, os irmãos da comunidade.
A quem eles identificam nas nossas ações: Jesus e o Pai ou, (queira Deus que não!) o diabo? No versículo seguinte Jesus promete o Espírito Santo, o “Consolador que ensinará e recordará” tudo o que lhes tinha dito. Duas são as funções do Espírito: comecemos pela primeira a de “ensinar”.
Jesus garante que os seus discípulos sempre encontrarão uma resposta às próprias indagações, uma resposta em harmonia com o seu ensinamento, se souberem prestar atenção às suas palavras e mantiverem o próprio coração aberto aos impulsos do Espírito. Será necessário ter muita coragem para seguir estes sinais indicativos, pois, muitas vezes, ele exigirá mudanças de rumo tão inesperadas quanto radicais. Ele, porém, não “ensinará” nada, além daquilo que o próprio Evangelho ensina.
A segunda função do Espírito será a de “recordar”. Há muitas palavras de Jesus que, embora estejam gravadas no Evangelho, correm o risco de ser postas à margem, de ser esquecidas com facilidade. Eis então, que o Espírito intervém, para “lembrar”, para evocar à mente dos discípulos aquilo que Jesus disse: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam... Ao que te ferir numa face...” Na última parte desta passagem encontramos a promessa da paz: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá”.
A paz prometida por Jesus viceja onde se estabelecem entre os homens relações novas, onde a vontade de competir, de dominar, de ocupar os primeiros lugares cede lugar ao serviço e ao amor desinteressado pelos últimos. Sejamos francos: podemos afirmar que pelo menos nas nossas comunidades cristãs reina esta paz?
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.