Convenhamos, existem coisas nesse planeta que desafiam o raciocínio humano. Tais obstáculos são famosos por serem complicados demais e por matarem qualquer um de raiva. O pior de tudo é que uma boa parte disso foi criada pelos próprios humanos que, talvez, queriam inventar um tipo de passatempo cruel ou simplesmente desejavam maltratar o resto da sociedade. Tais brinquedos e objetos são chamados de quebra-cabeças e, atualmente, podem ser baixados no seu celular, por exemplo.
Um dos quebra-cabeças mais icônicos do mundo é o cubo mágico. Quem nunca se encantou por suas várias cores e tentou igualar todas de cada um dos seis lados daquilo? É quase impossível! No final das contas, a galera começa a girar ele aleatoriamente, esperando que tudo se resolva por milagre. Mas, é claro, tudo continua a mesma coisa bagunçada e desordenada. É por isso que todo mundo se espanta quando conhece alguém que conseguiu, de fato, montar o cubo. E o susto aumenta quando a pessoa em questão termina o serviço em poucos segundos. Como isso é possível? Mágica? Macete? Genialidade enrustida?
Para o francano Guilherme Luís Silva, 21, não existe segredo além de treinamento, dedicação e, claro, uma ajudinha da internet. “Há uns três anos meu pai fez uma viagem e me trouxe um cubo mágico de R$ 1,99. Tentei resolver o cubo por vários dias, mas sem sucesso”, lembra Guilherme, que trabalha como administrador. “Aquilo me deixou intrigado, pois me parecia impossível, então encarei como um desafio. Comecei a pesquisar na internet sobre como resolver o cubo e com as dicas aprendi a resolvê-lo bem lentamente.”
Mesmo tendo conseguido montar o bendito cubo, Guilherme não sossegou e passou a treinar cerca de uma hora por dia e a trabalhar em modelos mais complexos que o 3x3x3, a versão mais comum. O novo “brinquedinho” do francano se chama Megaminx, e é um dodecaedro, ou seja, possui nada menos que 12 lados.
Tanta paixão assim levou Guilherme ao 1º Campeonato de Cubos Mágicos de São Carlos (187 km de Franca), que aconteceu no sábado passado e reuniu outros 90 participantes. Na modalidade 3x3x3, o francano ficou em 34º lugar, com um tempo de 47.40 segundos. “Meu desempenho não foi muito bom comparado com os tempos que faço em casa. Por ser a primeira vez que estava participando, fiquei um pouco nervoso e isso atrapalha muito, pois cada erro em uma montagem pode custar vários segundos”, garante. “A experiência do campeonato foi incrível. Pude conhecer várias pessoas que montam, trocar informações e pegar várias dicas e formas de como reduzir os tempos na montagem. Além disso, por participar do campeonato, vou ter meu perfil cadastrado na WCA (World Cube Association), onde vai constar todos os meus tempos de todas as modalidades que participei”, diz Guilherme, que possui um recorde pessoal de 31 segundos.
O administrador possui uma coleção de 15 cubos mágicos, sendo que a maioria é composta de produtos importados. “Os cubos que existem no mercado brasileiro são de baixa qualidade, que tem o giro bastante preso, as peças desmontam e travam muito. Os meus cubos são profissionais, têm os giros bem soltos, são leves, não travam e ainda possuem regulagens”, conta. Em média, ele paga US$ 14 em cada cubo importado da China.
E será que Guilherme consegue fazer uma moral com sua habilidade? “As pessoas geralmente ficam impressionadas, pois vários já tentaram muitas vezes e veem eu montando em menos de um minuto. Alguns até pensam que é impossível uma pessoa ‘normal’ resolver. Dizem que é coisa pra gênio, porém resolver o cubo é muito mais simples do que as pessoas pensam.”
HISTÓRIA E RECORDE MUNDIAL
O nome técnico do cubo mágico é cubo de Rubik e foi criado pelo húngaro Ernõ Rubik em 1974. O legal é que o próprio inventor demorou um mês para resolver sua criação.
Quase 40 anos depois, o australiano Feliks Zemdegs demorou 6.24 segundos para montar o cubo e atualmente é o detentor do recorde mundial, de acordo com o próprio Guiness Book. O recorde foi estabelecido no dia 7 de maio de 2011. Será que o francano chega lá?
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