Terrenos baldios ou da própria Prefeitura, que antes estavam tomados pela sujeira e pelo mato, foram transformados em verdadeiras plantações em plena cidade. E não são hortas. Em meio às construções, cimento e ao asfalto, crescem pés de mandioca, café, milho, chuchu, feijão, entre outros cultivos. São os agricultores urbanos, pessoas simples que adotaram os espaços abandonados e consomem os alimentos ali produzidos ou doam para vizinhos e amigos. Há casos em que as pequenas plantações ajudam a complementar a renda da casa (leia abaixo).
Basta andar pelos bairros loteados na última década para encontrar as pequenas “ilhas” com plantações. Os terrenos geralmente são cercados com arames farpados, madeira ou cercas vivas. As áreas são totalmente tomadas pela vegetação.
Quem passa pela rua Afonso Sanches Simon, no Recanto Elimar II, não consegue deixar de reparar nas plantações de mandioca, batata doce e chuchu do caseiro Enir Sebastião de Souza, 48. Há dois anos, com a autorização do dono do terreno em frente à sua casa, ele começou a cultivar os legumes. Antes, o mato e o entulho tomavam conta do local e preocupavam os vizinhos. A plantação de chuchu tampou a cerca feita por Souza. Um portão de madeira dá acesso ao “canteirão” e uma placa avisa que é proibido jogar lixo.
Hoje, a vegetação é alta e o terreno lembra uma “floresta”. Segundo Souza, nenhuma colheita foi feita no local, mas ele promete dividir os produtos quando chegarem ao ponto de consumo. Quem comemora são os vizinhos. “Vai dar uns 50 quilos de mandioca. Vou usar, dar para os vizinhos, vamos repartindo”, disse o caseiro.
Assim como Enir, o pedreiro Aureliano Gomes dos Santos, 73, morador na rua Joaquim Teodoro Tristão, no Jardim Zelinda, adotou dois terrenos particulares em frente sua residência há três anos. No espaço, ele plantou “de tudo”. Tem milho, mandioca, quiabo, chuchu, batata. O único problema é que o pedreiro sofre de um grave problema vascular e aguarda cirurgia e por isso não pode fazer esforço físico. Com as chuvas, o mato tem crescido junto aos alimentos plantados na área e ele está preocupado com possíveis queixas dos vizinhos. “Não tenho encontrado o dono para eu entregar os terrenos. Tenho medo de me ‘ferrarem’ por causa disso.” O que é produzido no local, é usado como mistura na alimentação dele e da mulher, de vizinhos, parentes e amigos. “Quem pedir eu dou.”
CANAVIAL
Uma plantação salta aos olhos de quem entra ou sai do Parque do Horto, pela via de acesso à rodovia Cândido Portinari. O ajudante de motorista aposentado Agenor Farchi, 73, morador no bairro, cansou de ver o canteiro -área da Prefeitura -, na rua Jamil César Silva, com o mato alto e pouca manutenção. Há um ano e meio, plantou cana-de-açúcar, três pés de café e mudas de feijão e sempre recolhe todo o entulho e lixo no local. A cana já está alta.
Lá, Agenor ainda não colheu nada, mas disse que todos podem entrar e se servir. “Pensei: vou fazer isso aqui para me entreter, passar uma horinha (sic). Peguei uma enxada e limpei (...) É do povo. Daqui não vendo nada.” Ele se diz preparado caso haja uma “retomada” da área pela Prefeitura. “Tenho ciência disso, a área é deles, mas nunca reclamaram.”
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