Fábrica no campo em Cristais Paulista produz doces caseiros


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A fundadora da fábrica de doces, Marlene Baptista, espalha o doce de leite que é derramado do tacho pelos funcionários Danilo Queiroz e Roselândia Alves
A fundadora da fábrica de doces, Marlene Baptista, espalha o doce de leite que é derramado do tacho pelos funcionários Danilo Queiroz e Roselândia Alves

A tradicional goiabada feita no tacho em cima do fogão de lenha em uma propriedade rural de Cristais Paulista, mudou a vida da família Baptista no começo de 2000. Antes destinado apenas ao consumo dos familiares, o doce, preparado pelo patriarca dos Baptista, ganhou fama e logo começou a ser vendido em Franca. Diante do crescimento de pedidos, nasceu a fábrica de doces Marlene, que hoje, apesar da produção em uma escala maior, não abandonou uma de suas principais características: o preparo artesanal.

O nome Marlene é uma homenagem a dona Marlene Cardoso da Silva Baptista, hoje com 66 anos, que fazia os doces ao lado do marido Wilton Barcelos Baptista (morto em 2006) e continua no comando da produção. É ela que acompanha não só a fabricação da goiabada, mas de todo o mix de doces produzidos no modesto galpão construído no sítio, ao lado da casa sede. Segundo o filho Weverton da Silva Baptista, que administra a fábrica, atualmente são fabricados em média 400 quilos de doce por dia. São 25 tipos diferentes, entre mole e em pedaço. Entre os campeões de pedidos e, consequentemente, de produção estão o doce de leite, a paçoca, o pé de moleque e, claro, a goiabada. “Além dos doces tradicionais, fazemos variações de doce de leite com cidra, ameixa, coco e doces de abóbora e figo”, disse Weverton.

Com produção diária, a fábrica se prepara agora para uma das épocas de maior demanda, a das festas juninas. A previsão é que neste ano, a produção no período cresça até 40%. “Embora não pareça, a produção também é sazonal, junho e julho são os melhores meses, seguidos do fim de ano.”

Tendo um campo verde como pano de fundo na janela, a produção dos doces começa cedo para aproveitar o clima fresco da manhã. Já o período da tarde é dedicado para a embalagem em pacotes de 450 gramas e meio quilo, potes de 500 gramas e potes de 25 unidades. Com exceção da goiabada, preparada com a colher de pau, todos os demais doce são embalados no mesmo dia de fabricação, após o corte feito com o auxílio de uma madeira que serve de régua e uma faca. “A nossa produção segue a demanda de pedidos. Evitamos fazer estoque para não perder produto e também para oferecer o doce mais fresco aos clientes”, disse o funcionário Danilo Masini Queiroz.

Preparados parte no tacho de cobre e o restante nos tachos de inox com caldeira, os doces da dona Marlene não seguem receita, mas guardam segredos que, segundo ela, fazem toda a diferença no sabor. O açúcar é queimado no fogão a lenha, além disso, todo doce tem o seu ponto certo. “No começo foi difícil achar o ponto, perdemos muito doce, mas hoje já tenho a receita na cabeça”, disse a matriarca, que elege a paçoca como o doce mais complicado de ser feito. “Tem muita coisa que interfere na hora de fazer um doce, se está chovendo atrapalha, muito calor também e até o amendoim.”

Segundo Weverton, a diferença dos doces da família Baptista está no sabor. “Você sente ao provar, é um doce sem conservantes. Tudo é natural e produzido de modo artesanal.”

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