O ranking da revista Restaurant


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Melhor restaurante do mundo: os irmãos Roca são os primeiros na lista da revista inglesa
Melhor restaurante do mundo: os irmãos Roca são os primeiros na lista da revista inglesa

Deu uma zebrinha, não foi aquela coisa: ai meu Deus, como poderia... Mas é fato que quase todos davam como certo que o D.O.M. seria alçado ao primeiro lugar, dentre os melhores restaurantes do mundo. Alguns apostavam de forma entusiástica, como Alexandra Forbes, jornalista e crítica gastronômica com poder de voto. O crítico da Folha, Josimar Melo, que também vota e é o presidente da comissão brasileira do prêmio, foi quem pôs os pés no freio - e antes de apostar absolutamente em Atala, ressaltou o talento e poder do restaurante catalão El Celler de Can Roca; seria um páreo duro. E não deu outra, deu os irmãos Roca como primeiríssimos no ranking da revista inglesa Restaurant. E é o próprio Josimar Melo que esclarece que nada muda, assim como nada muda o fato de Atala ter caído duas posições, de 4º para 6º. Discordo dele, porque, se nada mudasse, esse ranking então nada significaria. Acho que no quesito comida muda pouco, a grande mudança se dá em torno do chef, todos esses primeiros colocados são alçados a categoria de pop star.

O chef Alex Atala não ficou onde queria no ranking, mas, a meu ver, de forma ainda mais prestigiosa, figura no ranking da revista Time como um dos mais influentes no mundo, ao lado de Michele Obama, do rapper Jay-z... E está ali não exatamente porque faz o arroz e feijão mais gostosos do mundo, mas porque nos apresenta tão bem ao mundo - claro, seu maior charme é levar consigo a Amazônia.

Fico pensando assim: se quando sobrevoamos a Amazônia, nós brasileiros ficamos absolutamente impressionados com aquele mundo verde sem fim, imagine então um estrangeiro... Nós ficamos incrédulos com a existência de tribos indígenas que ainda não mantiveram contato, imagine um europeu, um americano...

E é isso que o cozinheiro faz de tão mágico: traça uma ponte entre a civilização e o desconhecido mundo amazônico. Alex Atala diz que, a cada viagem que faz, adentra um tantinho a mais na mata. Trouxe de lá formigas, insetos, a pimenta Baniwa Jequitaia, que é produzida pelas mulheres da tribo indígena Baniwa. Entendo o fascínio de suas histórias. Ao narrar a virgindade de um povo, é capaz de entorpecer. Como é triste ir a um lugar onde todos estão, como é triste reconhecer que todo o mundo está igual, como é triste ver aos farrapos culturas que outrora nos diferenciaram. Juro: para estar onde ninguém está, comeria feliz formiga com pimenta.

O texto sobre Alex Atala da revista Time foi escrito pelo chef René Redzpei, do Restaurante Noma, ex-primeiro lugar, atual segundo do ranking da Restaurant. Redzpei, que tem um funcionário que passa os dias cavoucando os bosques de Copenhague, deve sonhar com a Amazônia.

Bem, voltemos ao primeiro lugar. Claro, temo não ter nenhuma novidade para contar, também não consegui nenhuma entrevista exclusiva, tampouco tive o prazer de me sentar em qualquer cantinho daquele belíssimo restaurante. Sei contar para vocês que é certamente um daqueles restaurantes para dias pra lá de especiais, porque prometem a tal da experiência gustativa, o que na certa tira um pouco o conforto de quem só quer comer bem. Por isso, termino com o recorta e cola de um blog: um litro de letras, que por lá já esteve: “(...) pouco consigo lembrar do menu do El Celler de Can Roca, um dos restaurantes mais lindos em que já estive (...). O serviço é impecável. A harmonização de vinhos é incrível. O apuro técnico no tratamento de texturas e temperaturas, impressionante. Aqui não há piadas nem magia. Mas há preocupação excessiva com o suporte (...). Não comi mal no El Celler de Can Roca. Só acho exagero quando este modelo passa a ser supervalorizado e, de referência, passa a ser uma camisa de força. Eu diria que há um excesso de circo (do soleil) nesse modelo.”


DICA DA SEMANA

Doce de leite

Guardo bem na memória um doce de leite que minha mãe fazia. Com leite talhado, fazia aqueles carocinhos morenos, alguns queimados no fundo da panela. Um arremedo da ambrosia. Que é deliciosa e típica do sul do País. É um dos presentes alemães que se integrou à nossa gastronomia.

Ela é meio chatinha para fazer. Deve-se seguir a receita a risca, senão o resultado será uma coisinha bem sem graça mesmo.

Repasso aqui para vocês uma receita dada pelo restaurante Cantamaria, de Bento Gonçalves.

Vamos lá: 75ml de água, 200g de açúcar mascavo, cravo e canela, 1 litro de leite, 10ml de suco de limão e 8 ovos.

Deve-se ferver a água, o açúcar, o cravo e a canela até obter o ponto de fio (ponto fio se dá quando a gente derrama a calda da colher no alto e ela desce até a panela num fio só ininterrupto). Daí adicione o leite e o limão e deixe descansar por 10 minutos.

Bata os ovos no liquidificador e misture ao leite e leve para ferver de novo, por 40 minutos. Mexendo sempre até desgrudar do fundo da panela.

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