Hoje, o consumidor vai em média de 3 a 4 vezes ao supermercado por semana, segundo a última pesquisa de comportamento divulgada no setor
Quando surgiram os primeiros supermercados no País, a população costumava fazer compras mensais. Consumidores lotavam carrinhos nos corredores, que demoravam para passar nos caixas. Um dos motivos era planejar para enfrentar a inflação dos preços. Trinta dias poderiam fazer diferença no total da compra. Hoje, o consumidor vai em média de 3 a 4 vezes ao supermercado por semana, segundo a última pesquisa de comportamento divulgada no setor. Muita coisa mudou, além disso, nos hábitos dos consumidores, como o sistema de pagamento que vai aposentando o cheque dando lugar aos cartões. Nos próximos anos deve acontecer uma revolução no jeito de fazer compras.
Toda família, ou mesmo consumidores individuais, tem na cabeça uma espécie de cesta básica mensal com a marca preferida – arroz e feijão, sucos, produtos de limpeza, etc. Os supermercados passarão a oferecer a alternativa de o cliente cadastrar a sua lista básica (e atualizá-la) e passar pela loja para pegar o pacote pronto. Na loja, complementará a compra com o que eventualmente se lembrou no caminho e os alimentos, que dependem de escolha no local. Vantagem do novo sistema – economia de tempo. O consumidor do pacote pronto evitará andar pelos corredores e gôndolas examinando itens que são sempre os mesmos.
Ir ao supermercado continuará sendo um hábito para esse consumidor que deseja a facilidade do pacote pré-formatado, porque ele não abrirá mão de escolher manualmente os chamados produtos perecíveis. “Ele quer tocar a batata e ver o tom das cores das verduras”, diz um empresário da área, que aposta não só na vida longa para as atuais lojas físicas, como a expansão do setor. Com esse argumento, ele descarta a substituição no futuro das compras presenciais pelas virtuais (via internet). Para a maioria dos alimentos, não funciona a compra virtual.
Até os anos 80, antes da informatização e da internet, os bilhetes aéreos eram de papel. As tradicionais “passagens”, ainda utilizadas em ônibus intermunicipais, foram substituídas por códigos localizadores. De início essas senhas tinham que ser apresentadas no balcão da companhia aérea no aeroporto. Hoje, já é possível fazer o check-in pelo celular e embarcar sem passar pelo controle do balcão. Esse tipo de consumidor já treinado para a automação aceitará bem uma outra inovação que deverá chegar em breve aos supermercados brasileiros: o caixa de autosserviço. Nas bombas dos postos de combustíveis a ideia não prosperou no Brasil, mas os supermercadistas acreditam que é questão de tempo para que uma parte dos consumidores prefira registrar as suas compras e pagar a conta, sem a necessidade do caixa. Nos Estados Unidos e Europa, esse tipo de transação já é responsável por uma fatia de 10 a 15% das vendas nos supermercados. Para que os caixas rápidos de autosserviço sejam criados, as empresas terão que investir em sistemas de controle, ainda importados, e fazer mudanças físicas nas lojas.
Outra tendência nos supermercados será o aumento da oferta de alimentos prontos para serem consumidos no lar – lavado, picado, cozido, pré-cozido, pré-assado. Mudanças sociais no perfil das famílias e até na arquitetura das casas (a cozinha mais próxima da sala) farão com que as pessoas passem a preparar mais rapidamente os alimentos, deixando tarefas que seriam da empregada doméstica para o supermercado. “Nos próximos cinco anos quem vai dominar esse segmento são os supermercados, porque nós temos a matéria-prima com custo menor, o público dentro das lojas, dominamos alguns setores (açougue, padaria, frios e hortifrutis)”, afirma o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi, que aposta no crescimento de uma alternativa de compras que qualifica como “alimentação produzida fora do lar” no qual os supermercados serão os grandes propulsores. Em paralelo, deve crescer também a “alimentação fora do lar”. Galassi acredita que as novas plantas de supermercados incluirão lanchonetes e restaurantes. “Isso vai aliviar a sociedade, pois 75% dos pais e das mães trabalham fora em certas áreas. Ninguém tem mais tempo para cozinhar”, diz ele. Por trás dessa novidade, há a tendência de famílias menores e globalizadas, que exigem soluções mais rápidas. “A família vai eliminar a fumaça na cozinha e ficar com o show dos temperos”, diz ele.
Desonerar os remédios
A deputada estadual Maria Lúcia Amary (PSDB) lançará a Frente Parlamentar para Desoneração dos Medicamentos no Estado de São Paulo. O objetivo é mobilizar a população e o Poder Executivo para que haja uma redução na carga tributária dos medicamentos e, por efeito, no preço para o consumidor final. O Brasil tem a tributação mais alta do mundo sobre medicamentos: 33,9%. “A desoneração dos tributos sobre medicamentos se faz extremamente necessária para garantir o acesso real da saúde à população brasileira. Além de melhorar a saúde e diminuir os gastos no setor, o governo poderá investir em outras áreas também prioritárias”, diz ela.
Prevenção nas obras
Projeto de lei que será discutido na Assembleia Legislativa prevê que os projetos envolvendo ampliações e construção de pontes e viadutos no Estado só serão aprovados e executados pelo poder público ou por empresas concessionárias mediante laudo técnico favorável do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), com a participação do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). Segundo o deputado Baleia Rossi (PMDB), o projeto de lei visa prevenir acidentes com vítimas em obras públicas. “Nada, nem indenizações financeiras, devolve o maior dos bens dos seres humanos, que é a vida. A proposta é criar e implantar mecanismos para precaver e evitar a reincidência desse tipo de acidente”, diz ele.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
A partir de agora, o Comércio deixa de publicar a coluna do professor Antônio Carlos Menezes nas edições de domingo; ela passará a ser publicada às terças-feiras
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