Da lei para o hábito


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É claro que a lei, como estabelecido pela Constituição federal, é o que rege – “pelo menos deveria reger’ – as nossas vidas, o nosso dia a dia, o cotidiano.

Mas é de conhecimento de todos que, infelizmente, existem aquelas leis que, no dito popular, “não pegam”. A Lei Seca, através da qual sempre defendi a ‘tolerância zero’, veio para pegar. E de jeito.

Pelo menos os números apontam para isso. O primeiro carnaval com Lei Seca mais rigorosa registrou queda no número de mortes e aumento do registro de motoristas autuados por embriaguez nas rodovias paulistas. Na Páscoa, da quinta-feira a domingo, foram 867 acidentes nas estradas do Estado de São Paulo, 16% a menos do que no ano passado.

O que havia se transformado em hábito no Brasil, de beber e dirigir, parece estar minando. O costume era beber, dirigir e tirar a vida do próximo, abalando e acabando com incontáveis famílias brasileiras.

Os acidentes no trânsito chegaram a matar mais do que as guerras, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De 2000 a 2010, o número de mortos em desastres de trânsito no Brasil foi de 28.995 para 40.989, um aumento de mais de 40%.

Sou, e sempre fui, a favor da tolerância zero de álcool no trânsito. Em 2011, após um grave acidente na zona sul de São Paulo, a angústia e indignação popular, foi criada na Assembleia Legislativa de São Paulo a Frente Parlamentar de Combate aos Motoristas Criminosos, da qual sou a coordenadora.

Quem tira a vida de uma pessoa usando um veículo é tão criminoso como alguém que usa uma arma de fogo. Feliz resolução baixada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) neste ano que instituiu, finalmente, a tolerância zero de álcool no trânsito de todo o País.

Em função dela, os brasileiros parecem estar criando um novo hábito, um novo costume, o de dirigir e não beber.

Como informam as notícias veiculadas na imprensa, as pessoas estão deixando seus veículos em casa e saindo de táxi, ou estabelecendo um motorista que não irá ingerir bebida alcoólica.

Será mais uma força do hábito ou um hábito à força? Ainda não sabemos, mas torcemos para que se estabeleça um novo hábito para o bem de todos. Afinal, como disse o filósofo Aristóteles: ‘Somos o que fazemos repetidamente.

Por isso, o mérito não está na ação, e sim no hábito.’

Maria Lúcia Amary
Deputada (PSDB), coordenadora da Frente Parlamentar de Combate a Motoristas Criminosos

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