Entendimento


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Das mil e dezoito questões de O Livro dos Espíritos, a primeira delas recebeu resposta dos Luminares espirituais, segundo a qual ‘Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas’, inferindo-se daí não ser Ele antropomórfico, mas espiritual, onisciente e onipresente no Ilimitado, porque de perfeição absoluta.

Não possuindo um corpo parecido com o do homem, como se ensinava num passado não muito remoto, é em vão que muitos ainda insistem em fazê-Lo à imagem e semelhança humanas, isto é, continuam afirmando que somos feitos à Sua imagem e semelhança.

A antropomorfização da divindade resulta do atraso em que estagiamos. Daí o empenho espírita operando no sentido do que dissera Jesus à mulher samaritana, ‘Deus é o nosso Criador’, não tendo a forma nem as características do homem, ainda que este possuísse todas as virtudes que pudesse alcançar enquanto homem.

Discorrendo sobre o assunto, Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, considera que tudo, em Deus, há que ser no máximo da perfeição.

Se não o fosse, haveria a possibilidade de outro sê-lo e, assim, chegar-se-ia, necessariamente, a outro ente absolutamente perfeito. Por que já não concebermos o Absoluto como existente de toda e para toda a Eternidade?

Por conseguinte, Deus, ao criar, tira da Sua própria Substância (ainda ignorada) de que resulta perfeita a Sua obra. Assim, Suas Leis são a manifestação da mais absoluta Justiça, do mais perfeito Amor, da mais inatingível Sabedoria. Não há um só lugar, uma só partícula, que não esteja em Deus e onde Deus não esteja, na condição de onipresente na infinitude universal.

Ora, assim entendida, a Providência Divina se manifesta na plenitude do Universo, nada lhe escapando ao controle e supervisão. Uma sinfonia absolutamente perfeita, regida pelo Supremo Maestro. Não é possível, portanto, qualquer acontecimento sem que se manifeste a Vontade Divina, concessora da vontade humana, feita racional, para que se responsabilize pela própria ação, e esclarecida o bastante pelos ensinamentos de Jesus, o Divino Preposto ante a Humanidade terrena.

Infinitamente sábia e justa, a Lei de Deus tudo encaminha para a plenitude divina, ainda que isto ocorra sem que, no estágio moral e intelectual em que nos encontramos, consigamos entender-lhe os supremos desígnios.

Que nos lembremos da belíssima parábola do Filho Pródigo. Que consideremos, em proveito próprio, o sábio princípio da Lei, no seu aspecto ‘causa e efeito’ a nos explicar, a partir da certeza da anterioridade e posteridade do espírito, as felizes ou infelizes experiências que vivemos.

Carentes de visão ampla e de conjunto, ficamos atônitos ante o que nos ocorre, na suposição de que Deus não está presente, quando a Realidade divina se faz até no mais íntimo da matéria, onde subpartículas das subpartículas vibram em sintonia perfeita com suas coirmãs na imensidão sideral, para a harmonia do Universo infinito. É o cântico da grandeza e perfeição da Divina Criação.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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