Terra da fantasia


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Um dos mais sérios problemas enfrentados pela sociedade brasileira, a questão das drogas,requer medidas firmes e drásticas. Porém, o Congresso Internacional sobre Drogas, que foi aberto ontem no Museu da República em Brasília, mostra que os chamados ‘especialistas’ e ‘elementos representativos’ da sociedade brasileira estão totalmente fora da sintonia com a realidade. A rejeição às internações compulsórias, um dos principais pontos do encontro, mostra bem isso. O vício em entorpecentescontinua crescendo e levando em seu avanço vítimas cada vez mais jovens.

Um projeto de lei que está em tramitação na Câmara dos Deputados desde 2010, propondo alterações em dispositivos da Lei Antidrogas no Brasil, vem provocando os maiores debates entre os cerca de 700 participantes (membros de movimentos da sociedade civil, de universidades e representantes do governo, segundo informação da Agência Brasil). A facilitação das internações, o aumento da pena a traficantes e a falta de critérios para diferenciar usuários de traficantes são os pontos polêmicos da proposta, dizem os debatedores do evento.

Caso seja aprovada, a proposta (que deve ser votada na semana que vem), apresentada pelo deputado Osmar Terra (PMDB-RS) ,determinará a criação de um cadastro nacional de usuários de drogas. O projeto prevê ainda a internação involuntária de dependentes — que pode ser solicitada por um parente — e aumenta a pena mínima do traficante de cinco para oito anos de cadeia. Mas os participantes do Congresso prometem ir até o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para que o governo se posicione contrariamente ao projeto.

Os argumentos contra as medidas apresentadas na Câmara são fracos, uma vez que já se provou que não há diferença entre a recuperação de viciados internados voluntariamente ou involuntariamente. Prova disso é o jogador Casagrande, que foi internado contra a própria vontade e conseguiu se livrar do uso de entorpecentes — depois de um acidente grave que poderia ter provocado sua morte. O ex-jogador, hoje comentarista de futebol da TV Globo, afirma em entrevista — e no seu livro, lançado recentemente — que o viciado não consegue discernir o certo do errado e vivenciar a sua própria realidade. Aí, sofrem as famílias.

Com mais de 5 milhões de usuários habituais de drogas ilícitas, o Brasil precisa enfrentar com coragem este grande problema e mostrar aos especialistas que somente a criação de uma rede de clínicas especializadas e a possibilidade de internar os viciados contra a vontade será capaz de atenuar sensivelmente o quadro de hoje. Grande parte da violência que assistimos impotentes no consumo e tráfico de drogas um motivador. É hora de deixar de pensar que moramos em um país da fantasia e pensar de maneira prática antes que seja tarde demais.

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