Movimentos sociais organizados, vozes em uníssono, deram origem a profundas revoluções de comportamento na história da humanidade
O povo brasileiro, imerso em guerra causada pela insegurança pública e a impunidade, tem que se organizar e começar a lutar já. Neste tempo em que trabalho duro paga pouco e o crime garante mais, que leis não garantem quem é decente e honram quem é bandido, de falta de vergonha na cara e não de ‘fio de bigode’, de agentes políticos que se locupletam e de gente de bem que se encarcera em casa, de menores e adolescentes que idolatram pais que lhes dão razão quando erram, ao invés de pais que lhes puxam a orelha e batem em suas bundas, vale chorar.
Precisamos, imediatamente, de uma revolução educacional, mas não a partir das escolas. O start do País mais educado que tem que acontecer rapidamente, tem que começar em casa, ressuscitando a educação verdadeira, aquela que acompanha o filho e a filha desde que nascem até o momento de enviá-los à escola, em busca de cultura. É ai que reside o problema. Uma sociedade que prestigia um ‘dolce far niente’ descompromissado e distante de regras e normas, é, sem dúvida, ‘mais legal’ que a do suor pelo pão de cada dia, da natalidade responsável que evita filhos quando o sexo é só animal. Penso que para pais e indivíduos que aprenderam e agora praticam a ideia de que crime é melhor e mais rápido para fazer a vida, não haja programa capaz de faze-los parar.
O movimento que tem que acontecer deve, isto sim, agir em centros comunitários, escolas, igrejas, grupos de amizade, onde há pessoas amedrontadas mas conscientes de que algo precisa ser feito. A ameaça precisa ser dizimada em sua origem (a família), mas não é assim que vem acontecendo. (A Prefeitura de Franca acaba de anunciar o ‘Mão Amiga’, para dar guarida a desocupados, moradores de rua – exatamente aqueles que, em sua maioria, se recusam a cumprir deveres, e só pretendem direitos, incluindo, se for possível, algum programa que lhes dê um dinheirinho mensal. São os mesmos para os quais a Defensoria Pública de Franca garantiu liminar baseada no direito de ‘ir e vir’, tornando inócua decisão do juiz José Arimatéa para que a Polícia Militar, com zelo e tato, os cadastrasse. Às vezes, perdoem-me, fico pensando que vale mesmo a pena. A gente vai para a rua, esmola e amealha em torno de R$ 35 por dia. São R$ 1050 por mês. Há trabalhadores da ativa que não ganham isso por duras jornadas de 8 ou mais horas por mês). Quanto às escolas, há que se dar fim à vergonhosa ‘progressão continuada’, voltando a punir maus estudantes com a repetência.
Fala-se muito em reforma dos estatutos legais, penais, mas nada – penso – vai vencer a incapacidade do brasileiro em ser sério como se deve. Pergunte a seus vizinhos, conhecidos, familiares, se recordam em quem votaram nas últimas eleições, especialmente, em que candidatos a deputados, os agentes políticos que fazem leis. A gente vai às urnas, cumpre a obrigação. Depois, lembrar em quem votou, para que, não é? Nosso votado (e, antes que alguém diga que estou colocando todos no mesmo balaio, digo já: a maioria é séria. Só erra de vez em quando porque ‘tem que cumprir o programa do partido’, ‘tem que cumprir os acertos entre bancadas’ ou ‘é voto vencido’. Sem cobrança de seus eleitores, livres, leves e soltos, colocam-se a parir a legislação que está possibilitando ao País, a guerra à qual me refero.
Nem preciso ir longe para atestar: o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente está completamente defasado, mas ninguém peita a indispensável reforma. Quando foi concebido, meninos e meninas de 11 a 16 anos eram, física e mentalmente, só crianças e adolescentes. Hoje, são ‘cavalões’ que declaram, desavergonhadamente, que ‘o crime compensa’!. Juizes estão travados. Mandam soltar ‘de acordo com a lei’, mas, dentro de si, temem, se frustram, percebendo o tamanho do estrago que, amarrados pelo texto legal, estão ajudando a aumentar e a institucionalizar.
Não basta só relatar, sem propor soluções. Então, vamos lá. Pais e mães sérios devem convencer outros pais e mães a avaliar a atuação de seus votados. Em sala de aula, professores sérios devem estimular a que seus alunos sérios – sim, eles existem – levem a discussão para casa e envolvam seus pais.
Temos que apenar maus legisladores. Ano que vem tem eleição. O povo tem que gritar. A revolução precisa chegar a Brasília, sede da ‘indústria’ que produz as ‘normas legais’ que estão desgraçando este País. Se o povo não grita, é sinal que aceita.
EPIDEMIA DE ÓDIO
Motorista derruba, com seu carro, casal em moto. Não corre, como incontáveis covardes que grassam por ai. Para. Desce do carro, vai ver se os atingidos se feriram, disponível e presente. Chegam duas outras pessoas e, sem perguntar nada, o agridem. De repente, um morador da região, que assistia, percebe um dos agressores lançar mão de uma faca e partir na direção do agredido. Resolve, então, abrigar o agredido em sua casa até a chegada a polícia. Os agressores remetem suas fúrias na direção do carro do agredido. Furtam documentos, celular, depredam. A polícia chega. Vão todos para a delegacia. Agressores saem antes do agredido, inclusive, o portador da faca. O vizinho equilibrado tem que ser cumprimentado, mas temo fazer isso. Vai que o vírus do ódio se desloca em sua direção por não ter permitido que a faca, aquela, fosse usada. (Santo Deus! Onde é que chegamos...).
EM SALA DE AULA
Aluninho(?), 11 anos, em sala de aula, com seus companheiros e com a 'tia'. Em certo momento, ela o percebe cheirando 'cola de sapateiro'! Escandalizada, repreende. Busca o apoio da direção. É informada que os pais da criancinha(?) têm conhecimento sobre a questão, mas não fazem nada. Suspira, e se cala. Compreende que, se leva adiante, pode causar problemas à escola, a si própria. Pensa no menor, mas... o medo impera. Afinal, leis garantem a criancinha e seus papais 'gente boa'. Também garantem cenários e personagens que a criança frequenta e que considera seus ‘heróis’. Todos nós, que nada fazemos, também apoiamos.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.