Lave toda essa iniqüidade fétida
Pessoas "puras" com seus rótulos
Livre-me da fúria dos relógios
Que oprime minhas margens
Duras a competirem vidro e cal
O gélido abrasador atemporal
Abre-me de sopro em dor
Contamina a ferida viva em peito
Erma ferida. Peito leito, pescador
Relicário aberto. Oco, desvanecido
Pouco amor resta, esquecido.
Para manter a cura, o bálsamo, o pulsar
Corre, rola, murmura acalentando pedras
Peixes a dormirem de olhos abertos
Lave alma, leve almas desertas
A minha dura, lisa, sofre a força não em fios
Mas torrente naturalmente tempestiva
Sempre inconformada em tuas redes entranhas
Estreita-me caleidoscópicos calafrios
Lambe meus desejos, alucina as águas
Escorre a irrigar outros verdes
Que a leitosa pura estirpe amorna
Estanca para talhar a vida
Daquela água, correndo frouxa
Tenho sede
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