A sede do peixe


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Abre-me de sopro em dor

Contamina a ferida viva em peito

Erma ferida. Peito leito, pescador

Relicário aberto. Oco, desvanecido

Pouco amor resta, esquecido.

Para manter a cura, o bálsamo, o pulsar

Corre, rola, murmura acalentando pedras

Peixes a dormirem de olhos abertos

Lave alma, leve almas desertas

A minha dura, lisa, sofre a força não em fios

Mas torrente naturalmente tempestiva

Sempre inconformada em tuas redes entranhas

Estreita-me caleidoscópicos calafrios

Lambe meus desejos, alucina as águas

Escorre a irrigar outros verdes

Que a leitosa pura estirpe amorna

Estanca para talhar a vida

Daquela água, correndo frouxa

Tenho sede

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