Fábrica de sorvetes nasceu nos fundos de um bar e hoje é sucesso


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Os irmãos e sócios Anderson, Edson e Elisângela Ângelo de Souza apresentam sorvetes e picolés que produzem na fábrica DuCreme, em Ribeirão Corrente
Os irmãos e sócios Anderson, Edson e Elisângela Ângelo de Souza apresentam sorvetes e picolés que produzem na fábrica DuCreme, em Ribeirão Corrente

Quem passa pela entrada da fábrica de sorvetes DuCreme, em Ribeirão Corrente, provavelmente não imagina que o local abriga uma produção de 4 mil litros de gelados por dia. O ritmo de trabalho é intenso e seus 12 funcionários têm de se dividir entre a fabricação dos sorvetes e a industrialização de leite, produtos que a marca distribui em nove cidades da região.

A realidade descrita é muito distante da vivida em 1997, quando, sozinho, Edson Ângelo de Souza produzia 200 litros mensais de sorvete nos fundos de seu bar, em Ribeirão Corrente -estabelecimento que comprou em 1995 após ser demitido de uma fábrica de calçados francana. Edson lembra que entre os produtos que re-gistrava melhor saída em seu bar era o sorvete. “Mas nem passava pela minha cabeça que algum dia eu iria fabricar”, revelou. “Uma bela tarde chegou um vendedor, neste meu bar, oferecendo uma máquina. Eu pensei: ‘Nossa, vai ser muito difícil fabricar sorvete!’ Mas um cliente, já meio embriagado, disse que sabia fazer.”

Mesmo sem muita convicção nas habilidades do amigo, acabou se desfazendo de sua motocicleta modelo XL 88 e arriscou-se, comprando a máquina. “Por fim o cliente não sabia fabricar sorvete coisa nenhuma e fui fazer um curso em Franca. Pedia a ajuda de outros sorveteiros e fui aprendendo a produzir um bom sorvete. Mas a dificuldade era grande.”

Com o maquinário em mãos, passou a percorrer de bicicleta as fazendas da região em busca do leite não industrializado e, depois da “maratona”, dedicava-se à produção. “Eu trabalhava a noite inteira na fabricação do sorvete, porque a maquininha era muito lenta”, lembrou.

Com a prática, um sabor característico de receita caseira começou a agradar a quem experimentava, inclusive a outros comerciantes que pelo bar entravam de passagem. “Donos de outros bares começaram a sugerir: ‘você poderia fornecer esse seu sorvete para o meu bar. Eu não tinha freezer, então fui numa loja e comprei em 24 prestações. De repente, a cozinha do meu bar não comportava mais a produção. Compramos um terreno, fizemos uma edícula e começamos a fabricar.”

O plural empregado nos verbos por Edson agrega à história seus irmãos mais novos, Elisângela e Anderson Ângelo de Souza, que tornaram-se seus sócios. “Hoje a DuCreme é tudo para mim. É meu trabalho”, disse Anderson, que já ajudava Edson nos negócios. Já Elisângela havia trabalhado ante por 15 anos no setor de crédito de uma rede de varejo.

Com as vendas crescendo, os irmãos acreditaram ser o momento certo para criar uma marca e divulgá-la no mercado. “Até 2008 trabalhávamos com marca branca, sem nome. Mas com a compra de máquinas adequadas à nossa produção, a aquisição de terreno e o aumento do barracão, achamos que era a hora de criar uma identidade para o produto. “Fomos atrás de um nome e isso foi uma grande dificuldade.” As primeiras opções pensadas já haviam sido registradas por outras empresas, mas uma lembrança da infância serviu como inspiração para o nome que hoje é a marca da empresa. “Nosso grande diferencial é a qualidade do leite e eu queria algo que refletisse isso. Quando criança, trabalhava na roça com meu tio e ele sempre me perguntava se eu já tinha tirado o ‘creme’ da vaca. Daí: Sorvetes DuCreme”, resumiu Edson.

A criação da marca foi um salto importante. “Hoje distribuímos e vendemos o sorvete. Temos a fábrica e sorveterias terceirizadas na região de Franca e está em nosso planejamento, para o segundo semestre, expandir a produção para a região de Ribeirão Preto”, disse Elisângela.

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