Após quatro anos de luta, Bianca ganha vida nova com cirurgia


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A pespontadeira Márcia Costa usa notebook com a filha Bianca, de 16 anos, um mês após ela fazer cirurgia na coluna para conseguir ficar mais ereta
A pespontadeira Márcia Costa usa notebook com a filha Bianca, de 16 anos, um mês após ela fazer cirurgia na coluna para conseguir ficar mais ereta

Superação, tranquilidade, vitória. São esses os sentimentos que estão agora mais presentes na vida da pespontadeira Márcia Cristina Costa, 41, e de sua família. Depois de quatro anos de luta, sua filha Bianca Karen Costa, de 16 anos, finalmente pôde realizar uma cirurgia para corrigir uma escoliose grave, um desvio da coluna vertebral, que fica em formato de “S”. A operação foi feita em fevereiro deste ano. A condição de Bianca, que não anda, fazia com que ela ficasse com a coluna torta. Agora, ela consegue manter a coluna bem mais ereta.

A cirurgia, feita no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto, custou R$ 120 mil e foi paga inteiramente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Dias antes do procedimento, porém, ela precisou utilizar uma espécie de halo na cabeça para esticar a coluna na posição correta. O aparelho ficava na cabeça dela como uma coroa.

A operação, feita no dia 21 de fevereiro, foi um sucesso. O procedimento incluiu a inserção de uma haste interna de titânio, fixada por 24 parafusos do mesmo material na coluna. No dia 5 do mês passado, Bianca teve alta do hospital.

Segundo Márcia, tudo mudou após a cirurgia. “Ela está reta, está até sentando, coisa que ela não fazia direito. Antes, era tudo difícil para ela: para trocar de roupa, tomar banho e ir para a escola, e agora não mais”, disse a mãe. “Eu sempre vivi a vida dela. Sofri por ela, vendo as dificuldades que ela tinha. Ela pedia para fazer a cirurgia, para andar, e sofri muito com isso. Estou sentindo o gosto [da recuperação da Bianca] agora”, disse a mãe.

LONGO CAMINHO
Ao nascer, acredita-se que a menina tenha ficado sem oxigenação no cérebro, o que afetou seus movimentos e causou um pouco de atraso mental e em seu desenvolvimento. Hoje, ela pesa apenas 26 quilos e mede cerca de 1,60 metro. Já o quadro de escoliose começou há quatro anos e se agravou alguns meses depois, quando Bianca passou a ter problemas de respiração, já que o desvio na coluna acabava comprimindo o seu pulmão.

Segundo médicos, o uso de colete para corrigir a postura de Bianca não resolveria o problema e a única solução era cirúrgica. Assim, começou um novo capítulo na história de Bianca, mas que seria muito mais complicado e sofrido que o do seu diagnóstico.

A pespontadeira possuía convênio com um hospital particular da cidade, mas, quando tentou realizar a cirurgia através dele, descobriu que o seu seguro não cobria o material necessário, que custava de R$ 3 mil a R$ 4 mil. “Pensamos em fazer uma campanha para pagar o material, mas o hospital me enrolou por dois anos, me falavam que não conseguiam achar o material. Além disso, me falaram que eles não teriam condições de fazer a cirurgia no hospital, porque ela nunca havia sido realizada antes”, afirmou Márcia.

“Se eles nunca tivessem feito essa cirurgia, eles deveriam ter falado logo, porque aí já poderíamos procurar outros recursos, mas fomos percebendo que tudo tem a hora certa.”

Com o caminho do convênio bloqueado, Márcia recorreu à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), em São Paulo. Em uma consulta particular na instituição, a pespontadeira descobriu que a cirurgia custaria R$ 250 mil. Assim, o único caminho foi entrar na Justiça para conseguir a cirurgia que iria solucionar a escoliose de Bianca.

A pespontadeira entrou com um uma ação na Justiça de Franca há dois anos para acionar o Estado a pagar a operação da filha. Aconselhada por sua advogada, Márcia requisitou, além do procedimento cirúrgico, a cobertura a outras necessidades de Bianca, como medicamentos, fraldas, cadeiras de banho e cadeira de rodas. “Seis meses depois, o juiz aprovou tudo, menos a cirurgia, porque, no processo, o preço da cirurgia era o de hospital particular. Ele mesmo viu que, em Ribeirão Preto, a cirurgia poderia ser feita pelo SUS”, conta a mãe de Bianca.

O longo caminho para a realização da cirurgia estava chegando ao fim. No final do ano passado, após o terceiro atendimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a operação foi finalmente marcada para fevereiro.

Bianca estuda na 6ª série da Escola Estadual “Professor Dante Guedine Filho”. A expectativa é que ela volte às aulas no final deste mês.

A menina, tímida, durante a entrevista ao Comércio, se limitou a afirmar que, agora, está bem. Ela gosta de se distrair usando um notebook.

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