Um menino de apenas 11 anos, usuário de drogas, fez sua mãe, num ato de desespero, procurar a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) na última quarta-feira. Ela pediu à delegada Graciela Ambrósio que conseguisse uma internação para o garoto. Segundo a mãe, uma dona de casa que não teve a identidade revelada e preferiu não gravar entrevistas, a criança foge de casa constantemente e “vive” na praça da Vila São Sebastião, com menores da mesma faixa etária, que também foram dominados pela droga. Nesse caso, segundo a polícia e o Conselho Tutelar, uma internação compulsória pode ser a solução (leia texto nesta página).
A delegada se disse chocada com a história. O garoto tornou-se usuário há um ano, e teve o irmão mais velho, de 15 anos, como corruptor. Segundo o depoimento da mãe à polícia, o adolescente teria passagem pela Fundação Casa, mas livrou-se do vício das drogas. “A gente fica bastante comovida com esse tipo de situação. É uma criança de apenas 11 anos que está vivendo. Ele veio aqui, compareceu com a mãe. Ela disse que, após a morte do pai, ele vem usando maconha e cocaína”, relatou Graciela.
As consequências do uso de entorpecentes causam transtornos. Recentemente, o menino de 11 anos foi flagrado cheirando solvente de tinta dentro da escola, onde frequenta sem assiduidade. Também passou a furtar objetos dentro da própria casa, para fazer dinheiro e manter o vício. A mãe, que já tentou acompanhamento no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e consultas com psicólogos da rede pública de saúde para a criança, ainda convive com ameaças. “Ela alega, inclusive, que já está passando por uma situação difícil, porque até cobrança de traficantes ela tem recebido”, disse Graciela.
A droga é adquirida facilmente com criminosos da região da Vila São Sebastião. “Ele mesmo diz que compra e que existem outras crianças da idade dele que também fazem uso de droga”, completou a delegada.
Na DDM, a autoridade disse não poder fazer nada além de orientar a família a procurar ajuda na Justiça, para uma possível internação. O caso foi encaminhado para a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), chefiada pelo delegado Djalma Batista, que diz que as investigações no local apontado estão em andamento para identificar os responsáveis pelo tráfico e que nenhum detalhe pode ser revelado.
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