Ave, ave!


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Abro a janela e estou livre
Onde só há céu e azul

Onde a ave é ave
Onde o vento é vento
E tudo que não é livre...
Cai

Mas a ave desce à terra
Caminha e se alimenta
Faz seu ninho...

E depois volta
Para o céu que lhe pertence

E tudo isso é a ave
Mas não a ave não é tudo isso

A ave é a asa de voar
É a digestão da nuvem
É o rastro no céu
É a voz do ar

É tudo e nada
A se construir e destruir
A subir e a descer

Se ficar mais no ar é sabiá
Se ficar mais na terra é galinha

Correrá do gavião ou da raposa

Mas sempre correrá
Porque há leis que não se mudam

Não é mais ave quando voa
É somente ave que pode voar...
 

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