A Economia continua a ciência lúgubre de Malthus, pois cuida essencialmente da escassez. No entanto, evoluiu bastante não só ao incorporar e a propor soluções para o desenvolvimento, para a inflação, para o comércio internacional, para a distribuição da renda e da riqueza. E como qualquer ciência, a Economia tem seus princípios, suas leis, suas técnicas: a análise benefício/custo, a taxa e o período de retorno do investimento, o custo de oportunidade etc.
A recomendação maior do ‘homo economicus’, o ser racional que toma as decisões em economia é ‘obter o máximo de benefícios com o mínimo de esforço’. Além de lúgubre, a ciência econômica é controversa, como sugeriu John K. Galbraith, reconhecido economista norte-americano, pois, admite pontos de vista, interpretações, proposições as mais variadas.
Esta pequena introdução destina-se a preparar o leitor para o tema do momento, a inflação. Ninguém a quer. Da Presidência da República à dona de casa de qualquer bairro da cidade, passando por políticos, empresários, trabalhadores, burocratas, todos a abominam e a temem.
O Banco Central tem - entre suas responsabilidades - a de ser o guardião da moeda e, nessa condição deveria ser o primeiro a levantar-se em armas contra a alta generalizada dos preços. No entanto, está agindo (muito) devagar, sem independência e sem ambição.
As chamadas metas de inflação, um dos instrumentos criados no conjunto do Plano Real, têm sido estabelecidas - em quase dez anos - com frouxidão e liberalidade: está fixada em 4,5% com variação de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. É de se perguntar: estamos satisfeitos, contentes com esses valores? A gestão da economia exige e requer progresso continuo, rigor.
Tudo isso medido pelos índices de desenvolvimento e crescimento, pelos padrões de distribuição de renda, pelo índice de desenvolvimento humano da população etc.
Por que ficamos presos a um conservadorismo balofo na fixação das metas de inflação? Por falta de criatividade, por preguiça, incapacidade de gestão, de ambição? Por puro liberalismo.
A atual inflação brasileira está vinculada - de certa maneira - a uma exacerbação da demanda. De um lado, facilidades na concessão de crédito, em termos de prazos e juros. Em 2012, segundo o Banco Central, o volume de crédito concedido chegou a 50,5% do PIB, mais do que o dobro do valor observado em 2004. Do outro lado, com os índices de emprego em alta, sobretudo no setor de serviços, há mais renda para exercer poder de compra. Que não é correspondido pela oferta interna.
Nesse conjunto que joga a favor da inflação há outros fatores: a obesa máquina estatal e a reduzida capacidade de realização de investimentos produtivos. A taxa de formação bruta de capital da economia brasileira ficou ao redor de 18%, o que é muito pouco para um país com as necessidades de infraestrutura e de ampliação da capacidade produtiva que tem o Brasil.
Nesse caso, e diante dos fatos expostos, é de se perguntar: mexer só na taxa de juros para combater a inflação é suficiente?
Vicente de Paula Oliveira
Economista
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