Os sinais são claros: índices que começam a ser divulgados, contemplando as primeiras semanas de abril, estão deixando economistas e analistas financeiros preocupados diante da possibilidade de uma deterioração da conjuntura econômica brasileira. Mesmo diante das desonerações, que vêm sendo anunciadas por atacado desde o ano passado, a inflação dá mostras de que deverá continuar subindo, ainda mais diante da possibilidade de reajustes programados para os próximos meses, notadamente quando se trata de transporte público. No início do ano a presidente Dilma Rousseff conseguiu do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad uma promessa de que o aumento nos bilhetes dos ônibus urbanos, metrô e trens metropolitanos seriam adiados.
Mesmo assim — além das desonerações —, o índice inflacionário não caiu como o governo queria e os especialistas já abrem a possibilidade de que a evolução do PIB — que reflete o crescimento da economia - sofra retração, as exportações obtenham resultado muito aquém do esperado e a inflação cresça ainda além do que os mais otimistas vaticinam. A expectativa é de que a taxa ultrapasse a meta do governo, em torno de 6,5% ao ano, podendo jogar o País no turbilhão que já causa estragos em países europeus que eram considerados donos de uma economia sólida, como Portugal e Espanha. Aparentemente, os ataques do governo ao dragão que, em décadas passadas, corroia o poder de compra do brasileiro diariamente, mostram-se, pelo menos até agora, bem menos eficazes do que o ministro Guido Mantega tenta fazer crer.
A bolha inflacionária já se mostra próxima de um estouro. E tudo deve explodir agora, quase cinco anos após a grande quebradeira mundial iniciada pelos bancos dos Estados Unidos, a qual jogou a comunidade mundial, notadamente a europeia, num buraco sem fim. Naquela época, em 2008, já se alertava para a prudência quanto aos remédios que seriam usados para combater a ameaça. E o tsunami financeiro (apelidado de ‘marolinha’ pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva), aparentemente, passou ao largo do Brasil. Mas agora se vê que a reverberação da crise europeia pode se fazer sentir por aqui.
Desde lá, o governo passou a criar processos de desoneração da economia, reduzindo impostos, taxas e concedendo isenções para setores produtivos, como automóveis e eletrodomésticos, entre outros. Mas ignorava então uma percepção — que hoje se torna quase certeza — de que isso não bastaria para que a produção (e consequentemente, o trabalho) estivesse imunizada. O crescimento gradual da inflação está se tornando cristalino, assim como a inadimplência atingindo índices de cinco anos atrás, o aumento inesperado na emissão de cheques sem fundos e o baixo crescimento da economia brasileira diante de seus parceiros no Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul). Por isso, é hora de o governo rever a sua política econômica pois, caso contrário, o Brasil pode voltar a registrar períodos de inflação que o brasileiro sonhava terem sido sepultados pelo Plano Real.
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