O clima político em Restinga pegou fogo na última semana. Em pouco menos de 10 horas, o prefeito Paulo Pitt (DEM) e sua vice Luciene Martins (PRB) foram afastados e reconduzidos aos cargos. Tudo por conta da disputa política pelo poder no município. De um lado, está o grupo de Pitt. Do outro, o dos antigos aliados do ex-prefeito Clarindo Ferracioli, o Belão, liderados pelo presidente da Câmara Municipal, Fernando Costa (PSB).
Na noite de terça-feira, 16, enquanto o prefeito viajava para São Paulo, os vereadores decidiram criar uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar supostas irregularidades da administração de Pitt e pedir seu afastamento e o de sua vice. O requerimento foi apresentado e lido em plenário. Muitas acusações e quase nenhuma prova concreta. Mesmo assim, em menos de um minuto, por oito votos a um, os membros do Legislativo decidiram afastar Pitt.
O presidente da Câmara, Fernando Costa, que também votou, assumiu a Prefeitura às 8 horas da quarta-feira. Ficou pouco no poder. No final da tarde, 10 horas depois, a Justiça reconduzia o prefeito e a vice ao comando.
A troca de acusação sobre danos provocados na sede da Prefeitura e sumiço de documentos e materiais com a troca - relâmpago - de comandos durou até a sexta-feira. Uma enxurrada de boletins de ocorrência foi registrada na polícia por ambos os lados. Queixas ao Ministério Público também foram protocoladas.
Nesta semana, a disputa terá mais um capítulo. Os vereadores pretendem convocar Pitt e Luciene para prestar esclarecimentos à Câmara. “Queremos ouvir o que eles têm a falar sobre o tumulto que interrompeu a nossa sessão no dia 2 de abril e trouxe prejuízos. Além disso, ainda precisam esclarecer sobre inúmeras irregularidades”, disse Fernando Costa. O tumulto do dia 2 teve início após um bate-boca entre manifestantes e vereadores. Os baderneiros quebraram vidros e chegaram a soltar sinalizadores e até uma bomba no plenário. Vereadores acusam Pitt e a vice de organizarem o ato.
A convocação ao prefeito e à vice deve ser entregue nesta segunda. O depoimento de Pitt está agendado para sexta. O de Luciene Martins ainda não tem data definida.
Na tarde de sexta-feira, o prefeito Paulo Pitt disse que, se for convocado, fará questão de comparecer. “Só acho estranho que eles queiram me ouvir agora. Depois de tudo. Eles tinham que ter feito isso antes. Mas, vou comparecer e mostrar para eles como deve se agir num regime democrático”, disse ele.
UMA PREFEITURA EM DISPUTA
Nesta semana, a política de Restinga viveu um momento histórico. Os vereadores da cidade conseguiram afastar o prefeito Paulo Pitt do poder. Ele precisou recorrer à Justiça para voltar ao cargo para o qual foi eleito. No centro da polêmica, estão o próprio Paulo Pitt (DEM) e o presidente da Câmara Municipal, o vereador Fernando Costa (PSB). Abaixo veja o que cada um pensa sobre os últimos acontecimentos.
PAULO PITT, prefeito de Restinga
Eleito com 2.105 votos
A política em Restinga
“Está muito difícil. Estamos vivendo uma verdadeira guerra.”
A vitória de Paulo Pitt nas urnas
”Foi o povo dizendo que está cansado. O povo de Restinga não aguentava mais ver um grupo de cinco, seis sugando a Prefeitura.”
A Câmara Municipal
“É uma Câmara viciada, que possui vícios antigos. Eles ainda acreditam na impunidade. Eles não aceitam os novos padrões políticos.”
As investigações do Ministério Público sobre irregularidades e desvio de verbas
“Eu dou nota dez. É um trabalho duro, sério. Que merece respeito. O promotor está de parabéns pelo modo imparcial como tem agido e eu espero que conclua logo toda a investigação.”
As CEIs (Comissões
Especiais de Inquérito)
“Uma tentativa de fraude. Começaram errado. Não respeitaram as leis, não me ouviram.”
O seu afastamento da Prefeitura “Foi vergonhoso. Muito triste.Os vereadores não seguiram nenhum protocolo, nenhum regulamento. Passaram por cima de tudo.”
O mandado de segurança
“A Justiça respeitou a democracia. Ela não reconduziu o Paulo Pitt à prefeitura. Ela defendeu a democracia, o respeito à lei.”
O ex-prefeito Clarindo Ferracioli, o Belão
“Um político das antigas.”
O presidente da Câmara Fernando Costa
“Para mim, ele não passa de um oportunista.”
O futuro de Restinga
“Bom, ótimo. Estamos começando um novo tempo.”
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FERNANDO COSTA, presidente da Câmara de Restinga
Eleito vereador com 236 votos
A política em Restinga
“Um pouco confusa. Não é o que foi prometido durante a campanha.”
A vitória de Paulo Pitt nas urnas
“É a democracia. Mas antes o pessoal acreditava que ele significava uma mudança. Hoje a população não acredita mais nisso.”
A Câmara Municipal
“Está cumprindo o papel de fiscalizar e acompanhar o trabalho do prefeito.”
As investigações do Ministério Público sobre irregularidades e desvio de verbas
“Acho que ele precisa correr atrás de comprovar.”
As CEIs (Comissões Especiais de Inquérito)
“As comissões tinham que ser criadas de qualquer jeito. O que está acontecendo em Restinga é inadmissível.”
O afastamento de Pitt
“Precisava ser feito para que as comissões pudessem trabalhar. Se ele continuar à frente da Prefeitura, pode atrapalhar os trabalhos.”
O mandado de segurança
“Foi uma decisão da Justiça. Mas na mesma decisão o juiz disse que a gente deve continuar com as nossas investigações.”
O ex-prefeito Clarindo Ferracioli, o Belão
“Considero ele um político experiente, com uma administração diferente. Para o Pitt, falta essa experiência, por isso ele erra tanto.”
O prefeito de Restinga Paulo Pitt
”Um inconsequente. Um perseguidor. Ele ainda não entendeu que política pública é diferente de uma empresa privada.”
O futuro de Restinga
“Pelos próximos quatro anos, não vejo um futuro. Não vejo melhorias. Quando o prefeito de uma cidade só pensa em perseguição, não há como crescer.”
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